Matéria-1285717

Arte Cearense

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00:03 · 29.06.2013

Pintura de Leonilson

Sem titulo

José Leonilson Bezerra Dias nasceu em Fortaleza, em 1º de março de 19 e faleceu em São Paulo, em 28 de maio de 1993. Dedicou-se, com afinco, à pintura, à escultura e ao desenho. No caso particular da pintura, sua marca é, antes de tudo, o lúdico que se evola da harmonia com que as cores se inserem no espaço

Poemas de Adriano Espínola

No morro do Mucuripe

Aqui, neste morro
o tempo
nos coqueiros apara
o pensamento.

Aqui, todo erguido
o vento
espalha a manhã
mais dentro.

Ali, derramada
e imensa,
a cidade prospera
tensa.

Ao lado, o marazul.
Silêncio.
Jangadas levitam
lentas.

Neste instante redondo
e intenso,
ele se sonha além
ou no centro?

Residência

O corpo de minha cidade
é um naco de terra à beira-mar.
Nele, as ondas quebram
o tempo por entre as pedras.
As dunas empinadas apontam-no
Para o céu de minha boca.
Traz sobre as ancas
um sol selvagem tatuado.
Um riacho corre até à foz
de seu sexo salitroso.
Pássaros marinhos migram
de seus olhos para as mãos.
Esquinas e gestos logo irrompem
sobre a praça de seu ventre.
Pelas ruas diariamente atravesso
o mapa de seu sangue.

Amar esta mulher é habitá-la.

O jangadeiro

Jangadas amarelas, azuis, brancas
logo invadem o verde mar bravio,
o mesmo que Iracema, em arrepio,
sentiu banhar de sonho as suas ancas.
Que importa a lenda, ao longe, na história,
se elas cruzam, ligeiras, nesse instante,
o horizonte esticado da memória,
tornando o que se vê mito incessante?
As velas vão e voltam, incontidas,
sobre as ondas (do tempo). O jangadeiro
repete antigos gestos de outras vidas
feitas de sal e sonho verdadeiro.
Qual Ulisses, buscando, repentino
a sua ilha, o seu rosto e o seu destino.

A rendeira

Na teia da manhã que se desvela,
a rendeira compõe seu labirinto,
movendo sem saber e por instinto
a rede dos instantes numa tela.
Ponto a ponto, paciente, tenta ela
traçar no branco linho mais distinto
a trama de um desenho tão sucinto
como a jornada humana se revela.
Em frente, o mar desfia a eternidade
noutra tela de espuma e esquecimento,
enquanto, entrelaçado, o pensamento
costura sobre o sonho a realidade.

Fortaleza revisited

Sou outro
em mim,

memória
da cidade,

que se sonha
outra vez

na claridade

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