Matéria-1257225

Arte Cearense

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00:30 · 20.04.2013
Pintura de Nice Firmeza

Sem título

Nice Firmeza nasceu em 1921, em Aracati. Ainda muito jovem, transferiu-se para Fortaleza, onde, cedo, revelou o gosto pelas artes plásticas, sem, no entanto, definir um caminho único para suas criações. Morreu no último dia 13.

Poemas de Padre Antônio Tomaz

Versos e Reversos

Essa mulher, de face escaveirada,
Que vês tremendo em ânsias de fadiga
Estendendo a quem lhe passa a mão mirrada
Foi meretriz antes de ser mendiga
Fugiu-lhe breve, desta vida airada,
A mocidade, a doce e quadra amiga,
E chegou a ser velha e desgraçada
Antes do tempo, a quanto o vício obriga.
Ontem, de gozo e de volúpia ardente
Fosse a quem fosse dava a qualquer hora
O seio branco e o lábio sorridente
Hoje, triste sina, embalde chora
Pedindo esmola àquela mesma gente
Que de seus beijos se fartara outrora.

Contraste

Quando partimos no verdor dos anos
da vida pela estrada florescente
vão ficando atrás os desenganos
e a mocidade vai conosco à frente!
Rindo e cantando céleres e ufanos
vamos marchando descuidosamente...
Eis que surge, a velhice, de repente
desfazendo ilusões, matando enganos!
Aí nós entendemos claramente
como a existência é rápida e falaz...
E eis que acontece exatamente
o contrário dos tempos de rapaz:
Os desenganos vão conosco à frente
e a mocidade vai ficando atrás!

Desenganos

Muitas vezes sonhei nos tempos idos
Acalentando sonhos de ventura,
Então a voz da lira suave e pura
Era-me um gozo d´alma e dos sentidos.
Hoje, vejo meus sonhos convertidos
Num acervo de dor e de amargura
E percorro da vida a estrada escura
Recalcando no peito os meus gemidos...
E se tento cantar, como remédio
Minhas mágoas ao sombrio tédio
Que lentamente as forças me quebranta
Os sons que arranco à pobre lira agora
Mais parecem soluços de quem chora
Do que a doce toada de quem canta.

O Palhaço

Ontem, viu-se-lhe em casa a esposa morta
E a filhinha mais nova, tão doente!
Hoje, o empresário vai bater-lhe à porta
Que a platéia o reclama impaciente.
Ao palco, em breve surge... pouco importa
O seu pesar àquela estranha gente...
E ao som das ovações que os ares corta,
Trejeita, canta e ri, nervosamente.
Aos aplausos da turba, ele trabalha
Para encontrar no manto em que se embuça
A cruciante angústia que o retalha.
No entanto, a dor cruel mais se lhe aguça
E enquanto o lábio trêmulo gargalha,
Dentro do peito o coração soluça.

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