Coluna Arte Cearense

Arte Cearense

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00:00 · 24.01.2014
Pintura de José dos Reis Carvalho
Aquarela

O artista plástico José dos Reis Carvalho dedicou-se à pintura, ao desenho, atuando, também, no campo profissional como professor. Em 1824, ingressou na primeira turma do curso de pintura da Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), onde foi aluno de Debret

o autor

Agostino Gosson é jornalista e professor universitário. Estreia com “Amor absoluto e outros poemas”

Poesiade Agostino Gosson

Amor absoluto

Que será de teu amor quando eu partir,
Quando teu amor sofrer e suplicar{
E tudo em torno triste mais ficar,
Quando meu amor teu amor não mais sentir?
Que será de teu amor quando eu não vir
Ao teu encontro, e ciclones de luar,
Quando teu amor arder e além queimar,
Teus desejos quiserem extinguir?
Que será de teu amor quando eu não for
Nos teus braços o afago que te acalma
Nas horas em que te inundas de pavor?
Que será de teu amor quando eu partir,
Quando tua alma, a procura de minh'alma,
Souber que a minha sempre esteve em ti?

Da melancolia

É o pálido verão no céu de luto
Que faz a flor pensar despertencida
É a carne murcha e morta e apodrecida
De alguém que passará deixando vultos
É a vida aprisionada num reduto
Sentindo a força pouca e a fé vencida
É a sombra que se faz mais escondida
Fazendo o amor ficar menos oculto
É o gosto passageiro das maçãs
Nos lábios de quem busca a deliciosa
Ventura de carnais luas temporãs
É o sentimento vago de horas vãs
Desabrochando do amor sem cor e rosa
Num coração noturno sem manhãs

Um pedido

Coleta o azul diluído e sem verão
Que ora levo no peito dolorido
E ao infortúnio da minha solidão
Traze tua mão repleta de sentido.
Revela-me os momentos que virão
E guarda meu destino num vestido,
Pois que me cansa ver o coração
Sentir-se tão secreto, tão perdido.
Ergue a voz o silêncio revelando
As ondas melancólicas do mar
Que habita meu ser sem onde e quando...
Acende no céu a luz do teu punhal
E talha para mim, com gestos brandos,
Mil vidas impossíveis a um mortal.

Da alma

Atiraste do céu a alma sobre o rio
- Pomba liberta, nua, desassisada,
Gerando no ar asas perfumadas,
Estrelas de cetim de alvo feitio.
Sobre o tempo sonâmbulo, vazio,
Flutuando à flor das águas derramadas,
Teus olhos, como luas emocionadas,
Levaram-me até o sol e ele nem me viu.
Disto para cá não mais me angustio,
Nem mais em mim a dor, a solidão.
Há paz nas fundas águas desse rio.
Por isso tudo, tudo que me deste,
Confesso, agora, a secreta decisão:
Despi-me de mim; tua alma é o que me veste.

O autor

Agostino Gosson é jornalista e professor universitário. Estreia com “Amor absoluto e outros poema"

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