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00:00 · 30.11.2013

Leitura e História

Marcos José Diniz Silva
historiador e professor da Uece

É de conhecimento público o acirrado debate sobre a autorização prévia ou não para a escrita de biografias, onde se questiona no STF artigos do Código Civil.

Vez por outra também aparece a polêmica entre historiadores e jornalistas sobre a escrita da história.

Esses assuntos dizem respeito à cultura e à história do/no Brasil.

Trata-se da nossa memória coletiva e dos usos mercadológicos, editoriais, profissionais e acadêmicos desse aspecto vital da nossa identidade.

Como disse o historiador Marc Bloch, se a história não servisse para mais nada, ainda assim serviria para divertir. Mas até para isso precisamos de condições.

Ora, é comum afirmar-se que o brasileiro não tem memória, que não valoriza seu passado...

Mas é preciso reconhecer que o Brasil ainda não solucionou um antigo e grave problema: o analfabetismo. Também os livros são caríssimos para nossos níveis de renda. Jornais e revistas ainda são para poucos...

E tudo isso agravado pelo analfabetismo funcional. Dessa forma o interesse pela história do País, da cidade, por biografias ou literatura fica prejudicado. Não conseguimos fazer do brasileiro um leitor. Mas não esqueçamos que leitura não significa necessariamente de textos escritos. Observar o movimento das ruas, as edificações, os acontecimentos, os locais de trabalho, de lazer...

Tudo isso produz consciência do lugar que ocupamos e um despertar para a compreensão do longo processo histórico que faz o lugar onde vivo ser o que é.

E daí, talvez, germina um leitor capaz de superar obstáculos estruturais, no vislumbrar do mundo das letras os meandros da história.

Eleições e limites

Marcus Vinicius Coêlho
presidente do Conselho Federal da OAB

No momento em que campanhas milionárias começam a ser pensadas para as próximas eleições, é importante refletir sobre os princípios básicos da Constituição. Antes de qualquer coisa, a Carta Magna é fundamentada na igualdade de direitos sociais e políticos. O atual regime de financiamento eleitoral exacerba desigualdades sociais ao permitir que os ricos tenham possibilidade maior de influir nos resultados das eleições. O uso de recursos empresariais nas campanhas torna desigual a disputa entre os candidatos. 50% dos casos de corrupção investigados pela PF têm origem em financiamento de campanhas eleitorais. Há no Brasil clara concentração de empresas doadoras, ligadas a setores que dependem diretamente de gestões públicas. Mais de R$ 1 bilhão foram doados nos últimos dez anos apenas por 10 empresas - sendo cinco construtoras. É fundamental que o direito básico de igualdade política expresso na Constituição seja respeitado. Como defesa deste princípio, em 2011 a OAB entrou no STF com uma Adin para impedir o financiamento de empresas a candidatos e partidos. Empresas não são cidadãos e não possuem legitimidade para participar do processo político-eleitoral. A vedação de doações por empresas já ocorre em 36 países. Todos devem ter iguais possibilidades de influenciar na formação da vontade coletiva. Quando a desigualdade econômica produz desigualdade política, estamos diante de um sistema patológico, incompatível com os princípios democráticos.

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