Artigos

Arte Cearense

ler@diariodonordeste.com.br

00:00 · 28.09.2013
Elysium e o Gigante

As fantasias americanas de consumismo como meio e caminho para a felicidade e de representantes da paz e da democracia vêm sendo criticadas de forma indireta através de alguns filmes. Tivemos o lançamento, nesses dias, do filme Elysium que trata da luta de classes no ano de 2159 onde, na Terra, haveria uma superpopulação com muitos problemas e explorados pelos ricos, que aqui viviam, mas que preferiram preservar seu estilo de vida luxuoso criando uma estação espacial (Elysium) que oferece todo o suporte de paz, saúde e segurança para a população.

Dentre os motivos que levam o protagonista a luta é para devolver a igualdade entre os povos que foram impedidos de receberem assistências básicas como todo ser humano deveria ter conforme os organismos internacionais.

No Brasil desde o começo do ano tivemos as nossas ruas invadidas por saudáveis manifestações, com causas bem diversas mas sem direcionamento nem liderança política definida.

Motivados por preconceitos, esses manifestantes foram cobertos de críticas e agressões por parte da mídia e de alguns setores do Estado.

Mas um dos piores erros cometidos contra esses manifestantes e por parte de alguns deles foi querer afirmar que o ´Gigante´ que estava adormecido teria despertado, o que é uma mentira descabida.

Cito três gerações de manifestações: contra a ditadura e pela Abertura Política, pela Diretas Já e pelo impeachment do presidente Collor, geração caras pintadas.

Por fim, defendo a educação assim como a organização social e política como formas de libertação do povo que no caso do filme citado teve que ir às ultimas consequências indo para a luta armada.

O Gigante nunca esteve adormecido.

Marney Eduardo
Professor universitário

Maria do Juazeiro

Em um recanto nu do Nordeste, em 1889, uma jovem negra, beata, conversava com Cristo, exibindo estigmas pelo corpo e hóstias sangrentas na boca, aos olhos da mídia e cientistas desnorteados. Jesus lhe falava: "É do meu desejo estas maravilhas ocorrerem em Juazeiro, a fim de atrair o povo de Deus a se renovar na Fé, que está frágil". Pavor no catolicismo ante o aceite inevitável ocorrido nas brenhas de um Brasil faminto de justiça social e fé, onde morrer de fome era o trivial.

Presa num quarto escuro, como objeto de críticas em uma época ditatorial entre o Estado e o Clero, a ré Maria do Juazeiro continuou fazendo milagres, definhando pela reclusão, porém fortalecida pelo arrimo dos céus. Pessoalmente, Jesus Cristo ministrava-lhe a comunhão, dizendo: "Este é meu sangue". Padre Cícero testemunhava. Burocratizado o milagre de Juazeiro, o processo viajou pelo eixo Brasil-Vaticano, indignando o pontificado da época. Era heresia ocorrer milagre nos cafundós incultos do Brasil.

Só nos palcos romanos! Maria do Juazeiro, faminta, frágil, proibida de ser visitada, teria sido morta por doses letais de pó de vidro. Sepultada na capela do Socorro por súplica do povo, veio ordem de fechá-la, reaberta anos após, quando alguém raptou os restos mortais de Maria e nunca mais se deram notícias. No centenário de sua morte, a serva Maria do Juazeiro, que conversou com Cristo e dele recebeu seu santo sangue, continua bem aventurada em sua terra, a participar do seu próximo simpósio, salva e santa.

Geraldo Menezes Barbosa
Jornalista e escritor

Últimos Artigos

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.