Jazz & Blues

Celebração de muitos ritmos

Com plateia lotada, encontro de Waldonys e Sexteto de Jazz da Big Band Unifor marcou noite de abertura

Acima, o instrumentista Juarez Moreira, que cativou a plateia pela boa sequência de temas e acordes explorados; abaixo, o Trio Guará, formado por Denny Almeida, William Madeiro e Juan Madeiro ( Fotos: JL Rosa )
00:00 · 14.02.2018

Após o "aperitivo" durante o dia, a responsabilidade de iniciar oficialmente (no quesito espetáculos musicais) a 19ª edição do Festival ficou nas mãos do Trio Guará. Formado por Denny Almeida (violão), William Madeiro (guitarra) e Juan Madeiro (acordeon) - ambos filhos músicos de Guaramiranga-, o grupo destrinchou repertório inspirado em grandes nomes da música brasileira, como João Gilberto, Tom Jobim, Ary Barroso, Cartola, Noel Rosa e Gonzaguinha.

Seja pela bossa nova, samba, choro (com um toque de flamenco), a sonoridade dos amigos foi elogiada. A presença destes jovens no Festival reforça o espaço aberto aos músicos do município, cuja cena jazzística e instrumental vem sendo impulsionada desde a primeira edição do evento, no Carnaval de 2000.

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"O nome do grupo reflete essa história. Trio, afinal somos três. 'Guará' (denominação carinhosa pelo qual a cidade também é conhecida) porque é nossa terra. Estamos aqui e agradecemos à Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga por todo o apoio", explicou o guitarrista William Madeiro. O J&B, assim, foi tomado pela construção de valsas, choros, além da firmeza do blues e passeios pelo flamenco.

Destaque nas cordas, o já citado Juarez Moreira cativou pela boa sequência de temas e acordes explorados. Sua presença no Festival foi compartilhada com a pontual participação do cearense Jorge Helder (contrabaixo), Joatan Nascimento (trompete) e Kiko Freitas (bateria). Juntos, criaram um equilíbrio ideal entre versões exclusivas de grandes criações clássicas e originais brasileiras.

Com 12 álbuns na carreira, Juarez segue em fase de produção de dois novos projetos: um álbum dedicado à obra de Tom Jobim e outro com as composições próprias que receberam letras. Entre elas, o inspirado "Baião Barroco", letrado pela cantora e compositora paulista, Simone Guimarães.

Encontro

Em seguida, o presente aos fãs foi materializado no surgimento do Sexteto de Jazz da Big Band Unifor. Músicos em seus lugares, som equalizado e as primeiras interpretações prosseguiam com aplausos imediatos. Formado por bateria, baixo acústico, piano, guitarra, saxofone e trompete, o grupo tem se apresentado em eventos do calendário da Unifor e privados de Fortaleza e região metropolitana.

Em cena, o sexteto conduz um profundo passeio por estéticas sonoras que atravessam standards, bossa nova e MPB. Com a força dos instrumentos de sopro, os artistas intercalam arranjos para a precisa condução da cozinha. Melodiosa, a guitarra surge sublime e pontual entre os espaços.

Diante de interpretações inspiradas, como "Começar de Novo", de Ivan Lins, e o clássico atemporal "Take Five", da Dave Brubeck Quartet, o público é brindado com o que de melhor foi produzido na música nos últimos 50 anos.

Cada integrante, individualmente, constrói um pedaço do universo jazzístico. A apresentação tem peso, presença, e a primeira parte do show segue sem maiores percalços. De repente, ao fundo, a sanfona de Waldonys é escutada. A Cidade Jazz e Blues explode em palmas. O Nordeste é almejado em todas suas cores, alegrias e expressões. (AL)

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