SONORA BRASIL

Cancioneiro percussivo

01:15 · 03.07.2007
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O Grupo de Percussão da Universidade Federal da Bahia é a atração do Sonora Brasil, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz

O tema continua Tradições Contemporâneas, e assim o Circuito Nacional de Música Sonora Brasil, promovido pelo Sesc, dá novos passos. O projeto existe desde 1998, buscando difundir o desenvolvimento histórico da música em todo território nacional, através de grupos de raiz, de diversas partes do país, desafiando a mesmice oferecida pela mídia.

Hoje, o espetáculo reúne marimba, vibrafone, atabaques, matraca, ganzá, clave, pandeiro (sinfônico e popular), bongô, afoxé, berimbau, bombo, entre outros instrumentos do arsenal do Grupo de Percussão da UFBA. No repertório, clássicos do cancioneiro nordestino, com ênfase na terra de Dorival Caymmi.

O grupo é coordenado pelo músico Jorge Sacramento, timpanista oficial das Novenas da Conceição da Praia e do Senhor do Bomfim, que já se apresentou com vários grupos e artistas baianos: Clara Guinel, Guida Moura, Confraria da Bazófia, Gang Bang, Janela Brasileira, entre outros. Também já gravou com Andréa Daltro, Joatan Nascimento, Juvino Alves, Lindemberg Cardoso, Janela Brasileira, Confraria da Bazófia, Paulo Lima e Wellington Gomes. Mestre e doutorando em Educação Musical da Universidade Federal da Bahia, Sacramento é professor assistente da cadeira de Percussão da UFBA, percussionista/assistente da Orquestra Sinfônica da Bahia e coordena vários projetos de extensão na EMUS/UFBA.

Percussão na UFBA

Coordenado pelo professor Jorge Sacramento, mestre e doutorando em Educação Musical, o grupo faz parte da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia. A filosofia de trabalho do arte-educador tem incrementado em qualidade e quantidade os alunos de percussão da referida instituição. Fruto de um trabalho de 14 anos, o núcleo tem atualmente 13 alunos no curso superior, 13 no curso básico, 40 na oficina de bateria e 40 na oficina de percussão. Sacramento ainda desenvolve outros projetos de extensão na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, inclusive relacionados à cultura afro-descendente de Salvador, que hoje faz parte do conteúdo do programa do curso de instrumento percussão.

Segundo, a divulgação do projeto Sonora Brasil, o Grupo de Percussão retoma o movimento de criação musical contemporânea promovido pela Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, entre o final da década de 60 e os primeiros anos de 70. Atividade desenvolvida pelo Grupo de Compositores da Bahia, um movimento iniciado em abril de 1966, reflexo do ensino de composição então desenvolvido pelo professor Ernst Widmer naquela Universidade. Entre muitas atividades, foram compostas diversas peças para grupo de percussão.

O Grupo de Percussão da Escola de Música da UFBA foi um dos principais grupos instrumentais de Salvador e mola propulsora para o aclamado Grupo de Compositores da Bahia. Serviu ainda para a experimentação de composições e foi responsável pela estréia de inúmeras obras. Um trabalho que vem sendo revitalizado desde que Jorge Sacramento assumiu a cadeira de professor da Universidade Federal da Bahia, na disciplina percussão, em um trabalho em que conta com a atuação do maestro Angelo Rafael.

Segundo Jorge Sacramento, o grande diferencial do grupo hoje é que pode contar com uma gama de alunos de percussão no curso de graduação e básico da Escola de Música. “Não precisamos mais reforçar o trabalho com a participação de compositores e professores executando instrumento”. O Grupo foi reativado pela necessidade de compositores locais em experimentar as suas idéias, algo sempre difícil.

Outros espetáculos

Em 2003, o grupo apresentou o projeto “Tributo a Pixinguinha”, onde um repertório do compositor e instrumentista foi executado nos instrumentos de teclas da percussão (marimba, xilofone, vibrafone), onde foram e acompanhados por uma violonista e contrabaixista. Em 2004, foi a vez de um “Tributo a Waldir Azevedo”, nos mesmos moldes. Durante três anos, o grupo apresentou o show “Brasil Musical”, com clássicos do nosso cancioneiro: “Brasileirinho”, “Aquarela do Brasil”, “Quando o Ilê Passar”, “Vassourinhas”, “Chame Gente”, entre outros.

Em 2005, o Grupo de Percussão da UFBA abriu o Fórum Mundial, que aconteceu em Salvador, executando a música “Aquarela do Brasil”, regidos pelo músico Sergio Souto. Atualmente o Grupo de Percussão é formado: Jorge Sacramento (professor/coordenador) Aquim Sacramento, Eduardo Mota e Emanuel Magno (alunos do curso básico), Antenor Cardoso, Everton Isidoro, Erica Pereira, Poliana Coelho e Raul Pitanga (alunos da graduação).

Serviço:
Projeto Sonora Brasil. Apresentação do Grupo de Percussão da Universidade Federal da Bahia. Hoje, 19h, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz (Av. Duque de Caxias, em frente ao Dnocs). Entrada franca. Informações: 3452-9066.

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