Cinema

Brasil vai ao Oscar com "O Grande Circo Místico"

00:00 · 12.09.2018
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O francês Vincente Cassel e o brasileiro Juliano Cazarré em cena de "O Grande Circo Místico": longa deve estrear no País em novembro

O Grande Circo Místico" irá representar o Brasil na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2019. A escolha foi anunciada na manhã desta terça (11) pela Comissão Especial de Seleção, formada por membros indicados pela Academia Brasileira de Cinema.

O longa, dirigido por Cacá Diegues - recentemente eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), para a cadeira 7, que pertencia ao também cineasta Nelson Pereira dos Santos, falecido em abril - conta a história da família austríaca dona do Circo Knieps de 1910 até os dias de hoje. A previsão de estreia em circuito brasileiro é 15 de novembro.

Vinte e dois longas disputavam a indicação, incluindo quatro documentários. Filmes como os elogiados "Ferrugem", de Aly Muritiba, e "Benzinho", de Gustavo Pizzi, também participavam do pleito, assim como "O Animal Cordial", terror de Gabriela Amaral Almeida, e "As Boas Maneiras", outro terror, da dupla Marco Dutra/Juliana Rojas. A reunião da comissão, comandada por Jorge Peregrino, presidente da Academia Brasileira de Cinema, durou cerca de duas horas.

O MinC, por meio da Secretaria de Audiovisual, anunciou que vai destinar R$ 200 mil para a divulgação do longa-metragem no exterior.

Barroco brasileiro

O filme de Cacá Diegues teve sua primeira exibição no Festival de Cannes deste ano. "Queria voltar ao barroco brasileiro, que estava esquecido e que é uma das bases da nossa cultura", disse o diretor em entrevista em Cannes.

"Os filmes brasileiros hoje estão fixados no realismo-naturalismo, em fatos concretos. Acho importante, mas queria outra coisa".

Ano passado, "Bingo - O Rei das Manhãs" foi selecionado para representar o Brasil no Oscar de melhor filme estrangeiro. O longa de Daniel Rezende, porém, não passou da peneira da lista final.

Safras

Tem sido um longo jejum brasileiro na festa da Academia de Hollywood. O último filme selecionado para concorrer foi "Central do Brasil", de Walter Salles, em 1999. Em 2006, "O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger, foi pré-indicado na listas de nove, mas não ficou entre os cinco finalistas. A última indicação não ocorreu na categorias de filme estrangeiro, mas na de melhor animação - "O Menino e o Mundo", de Alê Abreu, em 2016.

Todo ano surgem as mesmas dúvidas - o que seria o concorrente ideal do Brasil no Oscar? Talvez o grande equívoco das comissões que indicam o concorrente brasileiro seja tentar pensar com a cabeça da Academia. O Oscar de filme estrangeiro é dos que mais ousam - e surpreendem. Mesmo assim, ocorrem coisas como o caso "Cidade de Deus". Ignorado no Oscar de filme estrangeiro de 2003, o longa de Fernando Meirelles cravou quatro indicações no ano seguinte, incluindo direção, roteiro, montagem e fotografia.

Outras vezes em que o Brasil esteve pertinho do Oscar - em 2012, Carlinhos Brown concorreu a melhor canção, por "Rio"; em 2015, "O Sal da Terra", codirigido por Juliano Salgado, filho do fotógrafo Sebastião Salgado - personagem principal -, foi indicado para melhor documentário.

Em 1986, William Hurt foi melhor ator por "O Beijo da Mulher Aranha", coprodução dirigida por Hector Babenco. Em 2005, o uruguaio Jorge Drexler venceu o Oscar de canção por "Al Otro Lado del Rio", tema do filme "Diários de Motocicleta", de Walter Salles. (Com informações das agências Estado e Folhapress)

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