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Bagaceira camaleônico

00:09 · 12.05.2012

Mostra Rebagaça leva aos palcos as montagens mais importantes dos 12 anos do Grupo Bagaceira de Teatro

Iniciada em março deste ano com as apresentações de "Lesados" no Teatro Dragão do Mar, a temporada do Bagaceira em palcos da capital vai chegando à metade do caminho. Patrocinada pelo Programa Petrobras de Cultura, a Mostra Rebagaça revisita espetáculos importantes do Grupo Bagaceira de Teatro, que comemora este mês 12 anos.

Para Rafael Martins, Yuri Yamamoto, Démick Lopes, Rogério Mesquita, Samya de Lavor e Tatiana Amorim, o Rebagaça, no entanto, é muito mais do que a reapresentação de montagens. É, antes de tudo, um ato de gratidão. Essa companhia que tanto viajou nos últimos anos, sentiu saudades de temporadas maiores em sua própria cidade. Estava na hora. "É uma forma de darmos um retorno de tudo o que foi produzido, de mostrarmos em um só evento como o Bagaceira se transforma", pontua Rafael Martins, enquanto Démick Lopes acrescenta: "Fico feliz em saber que estou há tanto tempo em um mesmo grupo e não chegamos na nossa zona de conforto. Estamos experimentando, sempre".

Panorama

De fato, entre os espetáculos escolhidos para a mostra, paradoxalmente, o que os une é a diferença. "Lesados" (2004) é experimentalismo, humor irônico. Foi o primeiro espetáculo longo montado pelo Bagaceira que, até então, montava esquetes. Em viagens por festivais com "Lesados", surgiu a ideia de "O Realejo". "Nele nos descobrimos. Queríamos voltar ao início, ao teatro inocente, com o objetivo de emocionar", explica Thays de Lavor. Com ele, o grupo circulou pelo País por dois meses e meio através do Palco Giratório (Sesc). "O Realejo" (2005) foi reapresentado aos sábados e domingos de abril.

Neste mês, entra em cartaz "Meire Love" (2007), uma das poucas peças com textos de parceiros, já que uma das marcas do Bagaceira é a produção autoral, em geral assinada por Rafael Martins. Este, escrito por Suzy Élida Lins, contou com a contribuição da autora também na direção.

Trata de três meninas de aproximadamente 12 anos que vivem pedindo dinheiro e vendendo seus corpos. Hoje e amanhã, o público tem a oportunidade de revê-lo no Theatro José de Alencar.

O infantil "Tá namorando! Tá namorando!" também seria apresentado neste fim de semana, mas um triste imprevisto alterou a agenda do grupo. "Nossa atriz, Tatiana Amorim, teve um problema de saúde. Ela está bem, está se recuperando, mas achamos melhor adiar. Antes a saúde dos nossos do que a mostra", disse Rogério Mesquita.

Com estreia em 2008, a montagem marcou o grupo por ter sido o primeiro infantil do repertório e o pioneiro do gênero a ser convidado para compor a Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba, a grande vitrine do teatro brasileiro. "Curitiba traz um respeito porque toda a mídia está lá, né? Em termos de pensamento do teatro contemporâneo existem festivais mais importantes, mas ali é realmente uma vitrine. Estão todos te vendo", comenta Rogério.

Destacando a pergunta: "O que dizer?", o inquieto espetáculo "Incerto" (2010) estabeleceu uma quebra de paradigmas. "Naquele momento, completávamos uma década e estávamos mesmo nos perguntando o que queríamos dizer para o público e o que queríamos daquele grupo", explica Démick Lopes. De fato, depois dele houve uma ruptura, definindo a formação do grupo em seis integrantes. Por fim, no ano passado, Bagaceira ousou novamente, produzindo seu primeiro espetáculo de rua: "Por que a gente é assim? Ou por que a gente é assado?", retrato das transformações sociais.

Processos

Este ano, além da revisão do repertório, o grupo reserva para às 23h de hoje a abertura do processo do espetáculo "A mão na face", mais um texto de Rafael Martins com a participação de uma dileta amiga do Bagaceira: a atriz e cantora Marta Aurélia. Ainda neste semestre está prevista ainda outra abertura de processo, desta vez de "Curtas e grossas". A proposta é apresentar uma espécie de ensaio aberto, peças em construção. "Lógico que não abriríamos um processo se não fosse pra ele ser afetado pelo público. Esperamos por isso", pontua Démick Lopes e Rafael Martins acrescenta: "Hoje o público não quer mais apenas o resultado, o espetáculo, quer uma experiência. A montagem inacabada proporciona isso, pra gente e pra plateia. No teatro, nada está terminado".

Mais informações:

Mostra Rebagaça. Espetáculo "Meire Love", hoje a amanhã, às 20h, no Theatro José de Alencar (palco principal). Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Abertura de processo de "A Mão na Face", hoje às 23h, na sala de teatro Nadir Sabóia. Gratuito.

Contato: (85) 3101.2583

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

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