As paixões e melodias de Evaldo Gouveia - Caderno 3 - Diario do Nordeste

Show

As paixões e melodias de Evaldo Gouveia

23.01.2013

O músico apresenta composições inéditas com novos parceiros e suas eternas parcerias com Jair Amorim

Altemar Dutra, Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira, Roberta Miranda, Maysa, Jair Rodrigues, Gal Costa, Maria Bethânia, Emílio Santiago... É difícil um intérprete do cancioneiro brasileiro da segunda metade do século passado para cá que não tenha em seu currículo uma pérola de Evaldo Gouveia. E que não tenha alcançado sucesso com a versão. Aos 84 anos e mais de 1,2 mil músicas no currículo, o cearense, de Iguatu, se apresenta hoje em Fortaleza no Docentes & Decentes da Varjota a partir das 21 horas.

O compositor Evaldo Gouveia revisita seu repertório em novo show Foto: Kid Junior


No show, que leva seu nome, Evaldo relembra alguns das imortalizadas canções criadas ao lado de Jair Amorim, seu grande parceiro, e apresenta ao público suas novas companhias musicais. "Evaldo & Jair foi uma parceria de 30 anos. Nos temos samba, samba-enredo, tango, bolero, valsa, fox, fado, canção, tudo", ilustra, sobre a amizade criativa que encerrou-se em 1993, com a morte do companheiro. Pelas mãos dos dois, nasceram canções como "Alguém me disse", "Bloco da Solidão", "Tango pra Tereza", "O Conde", "O Trovador", "Brigas". "Vamos fazer aquele repertório de grande sucessos", diz, sem revelar o relação exata do show. A qualidade musical do "conjunto" que o acompanha é garantida pela exigência e cobrança do anfitrião. "Eu sempre ensaio com a turma para não sair acorde truncado", diz. Na equipe, formada da cena local, o baixista Netinho de Sá, o pianista Tito Freitas e o baterista Denílson Lopes.

Repertório

"´Alguém me Disse´, foi meu primeiro sucesso. Quando eu abro essa, todo mundo já canta comigo. Aí não para mais, como você chegou a ver", disse sobre naturalidade com que embala o repertório e fazendo menção ao show de Isaac Cândido e Simone Guimarães, em 2009, no Sesc Iracema, no qual Evaldo foi convidado ao palco para uma participação e acabou emendando meia hora de grandes sucessos. "Eu não gosto de dar canja. Fui lá para assistir o show. Mas se me põe no palco, eu gosto de mostrar minhas músicas. Aí, eu peguei o violão e botei para quebrar", lembra, achando graça.

Após a partida do amigo Jair Amorim, outros compositores entraram no rol de parcerias de Evaldo Gouveia. Entre os que terão músicas no repertório de hoje a noite, destaca, estão Fausto Nilo, com quem compôs "Esquina do Brasil", e o carioca Paulo César Pinheiro. Os dois já assinam em conjunto mais de 50 canções. "Temos de forró a samba. Eu faço e ele vai na minha. Porque o Paulinho também se abriu comigo. É meu fã, rapaz", orgulha-se, sem negar admiração também ao novo parceiro. "Eu perguntei (ao Paulo César), quantas músicas tu tem? ´2,8 mil´. O repertório do cara é de arrombar", ri.

Carreira

Dedicando-se atualmente a compor e cantar suas músicas, Evaldo reavalia, hoje, algumas decisões tomadas na carreira, como, por exemplo, de não ter trabalhado seu nome como interprete e, mesmo, ter evitado gravar discos cantando suas músicas.

"Chamavam para televisão, eu dizia, ´ah, não vou não´. Nem ligava para esse negócio de mídia. Achava que minha música já era sucesso. O Altemar (Dutra) era quem ia divulgar, o Nelson (Gonçalves), a Marisa, Ângela Maria. Eu digo, ´eu fico na minha´. Mas é errado. Eu era que tinha que andar na frente do povo", diz.

Até a Portela sagrou-se com versos de Evaldo e Jair Amorim com os sambas-enredos "Mundo Melhor de Pixinguinha", em 1974, considerado um dos melhores da escola, e "Mulher à Brasileira", em 1978. "Os caras queriam me matar. Mandaram recado para a minha mãe, lá em casa. ´Se seu filho pintar em Madureira, morre na primeira esquina´. Eu digo, arre égua", lembra, com bom humor, da polêmica da época, de ver um cearense quebrando a tradição de compositores da escola.

Entre uma e outra lembrança sobre como chegou a Fortaleza, ainda criança, onde cantava em cabarés para ganhar dinheiro; ou como conheceu seu parceiro. Jair Amorim; e suas noitadas cantando em boates em São Paulo, o compositor resume sua trajetória: "Evaldo Gouveia nasceu no Iguatu em 1928, aos 10 anos veio para a Capital. Aqui, me juntei ao Mário Alves e Epaminondas, formei o Trio Nagô e depois fomos embora para o Rio de Janeiro, contratados pela Rádio Nacional".

Para quem tem interesse em ouvir Evaldo Gouveia, no ano passado, ele foi o homenageado do Carnaval de Fortaleza e ganhou o disco duplo "O Trovador - Uma homenagem a Evaldo Gouveia", com releituras de suas músicas disponíveis para download na internet. Entre seus novos projetos, adianta Evaldo, um DVD está sendo finalizado e deve ser lançado ainda este ano, remontando um pouco de sua carreira e sucessos.

Mais informações:

Show Evaldo Gouveia. Hoje, às 21 horas, no Docentes & Decentes (Rua Ana Bilhar ,1445). Ingresso: R$30 (individual) / R$120 (mesa). Contato: (85) 3267.4855

FÁBIO MARQUES
REPÓRTER

Comente essa matéria


Editora Verdes Mares Ltda.

Praça da Imprensa, S/N. Bairro: Dionísio Torres

Fone: (85) 3266.9999