DISCO

A vez do digital

O Projeto Rivera disponibiliza seu novo álbum nas plataformas digitais, oito meses depois do lançamento

00:00 · 22.01.2018 por Felipe Gurgel - Repórter
Rivera
Projeto Rivera: quarteto integra programa voltado à circulação pelo País ( Foto: Igor Barbosa )

Um dos nomes que mais circulam hoje pelo cenário musical cearense, o Projeto Rivera lança seu segundo álbum, "Eu vejo você". O sucessor de "Eu vim te trazer o sol" (2015) foi produzido pelo capixaba Léo Ramos, da banda Supercombo. O produtor e os cearenses mantiveram contato a partir da experiência do Laboratório de Música da Escola Porto Iracema das Artes, em 2016.

Em entrevista por telefone, o vocalista Victor Calíope explica que este lançamento (marcado por um show da banda na última sexta, 19, no Centro Dragão do Mar) é a segunda etapa do ciclo de "Eu vejo você". Disponível agora nas plataformas digitais, o repertório teve seu primeiro lançamento em abril do ano passado, no Cineteatro São Luiz (Centro).

"A gente estava estudando como enriquecer o show do Rivera, pra apresentar o disco como um espetáculo e sair da rotina da banda. Pra amadurecer o álbum mesmo, a partir da reação do público. Isso foi bom, porque além da gente ter tido um ótimo resultado, vimos que tinha muita gente esperando pelas músicas", observa Victor.

Ele recorda que, no dia do show (em 23 de abril do ano passado), um público de mais de 800 pessoas foi ao São Luiz, ao mesmo tempo que o transporte público da cidade era alvo de ataques criminosos.

Além de Victor Calíope, o Projeto Rivera é formado hoje por Flávio Nascimento (guitarra), Bruno Silveira (guitarra) e Matheus Brasil (bateria). Sobre a parceria com o produtor Léo Ramos, o vocalista comenta que os cearenses já tinham muita referência do trabalho do capixaba, antes de ambos se aproximarem profissionalmente.

"No Porto (Iracema), a gente viu a possibilidade de trazer ele pra perto. E como ele sabe que somos dinâmicos, que nem ele, isso transcendeu o aspecto da tutoria (promovida pela Escola)", destaca.

Parte das músicas de "Eu vejo você' foi gravada no Porto Iracema, e o resto no estúdio da própria banda. "O Léo fez a finalização no estúdio dele. E influiu muito na questão de ser mais objetivo, de como as pessoas podem compreender essa ideia de forma mais objetiva. De entender como limpar o som, que o pouco pode ser muito. E ajudou na visão dos shows também, porque ele já lida com um fluxo de público maior", conta Victor Calíope.

Porto Dragão do Mar

Contemplado pelo Instituto Dragão do Mar como uma das bandas que fazem parte do projeto de circulação Porto Dragão do Mar, o Projeto Rivera foi a primeira banda a participar da ação. O vocalista enfatiza que a base de fãs da banda, e a articulação junto à organização de festivais e outras possibilidades de fazer o trabalho circular para além do Ceará, ajudou o grupo a integrar a iniciativa.

"O equipamento (o Dragão do Mar) passou a ver a gente como uma ponta de lança, pra poder representar nacionalmente", complementa Victor Calíope.

Existencialismo

"Eu vejo você" mantém, ao menos no discurso, o traço existencialista das letras do Projeto Rivera. Logo na faixa de abertura, "Triturado", a sequência traz essa reflexão, tocando em questões como a depressão (e o tratamento para a condição, através de remédios). Indagado se as letras têm um apelo autobiográfico, o vocalista detalha que a inspiração é bem individual, mas se ampara, também, na convivência com outras pessoas.

"Quanto mais a gente vive, mais você se conecta com as pessoas. E todas as histórias passam a fazer parte de mim. Mais do que escutar música, se trata de escutar pessoas. Tudo vem delas", reflete.

Para além das 10 faixas oficiais, o álbum traz uma faixa bônus, "O que você plantei", gravada ao vivo no show de lançamento do Cineteatro São Luiz. Victor Calíope situa que, em menos de três meses, a versão já contabilizou mais de 100 mil visualizações no YouTube.

"Essa música, na verdade, nasceu na versão que foi tocada no violão. Gravamos com a banda toda, a música tomou outra forma. Mas no São Luiz, em cima da hora, pedi pra tocar sozinho: gostei do clima do teatro, minha família tava lá", pontua o vocalista.

Fique por dentro

Pegada pop rock predomina na sonoridade

"Eu vejo você" começa com a cinzenta "Triturado", em que um piano fúnebre acompanha o tom melancólico da letra. "Reviverá" dá um tom mais solar e dançante à sequência. "Canto Bom" traz uma levada mais regional à sonoridade, sem perder a pegada pop rock característica das composições do Rivera. A letra de "Garoto" mostra como bandas a exemplo do Rivera (com um pé na influência do "emo") fala com mais clareza ao público jovem e adolescente (o refrão se pergunta "O que é crescer?"). "Varanda", com a participação do produtor Léo Ramos (Supercombo/ES), já se permite viajar mais nos arranjos, ao mesmo tempo que emplaca um dos refrões mais grudentos de todo o disco. O resto do repertório, da metade para o fim (de 10 faixas), mantém a unidade do álbum (bem produzido, por sinal), mas, em paralelo, pode deixar o ouvinte com a impressão de ouvir a mesma música, seguidamente. "Loba", cuja sonoridade traz um pé no rock dos anos 80, destoa disso. E "Zeravida", uma das músicas mais conhecidas dentre os fãs da banda, encerra a sequência do disco. O Projeto Rivera ainda disponibilizou uma faixa-bônus, gravada ao vivo no Cineteatro São Luiz, "O que você plantei" (tema minimalista, de voz e violão).

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