Show

A Síntese do coletivo

O grupo 5 a Seco (SP) faz breve turnê pelo Nordeste e se apresenta nesta sexta (18), no Teatro RioMar

00:00 · 18.05.2018 por Felipe Gurgel - Repórter
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O 5 a Seco: grupo lançou seu terceiro disco, o segundo registro em estúdio ( Foto: Dani Gurgel/div. )

A carreira do grupo 5 a Seco (SP) é cercada de um tom "despretensioso" por conta de um detalhe: o primeiro disco, lançado em 2011, foi gravado ao vivo (no Auditório do Ibirapuera em São Paulo/SP) e, de fato, a formação não tinha planos de realizar muitos projetos para além de uma temporada de shows.

Porém, os nove anos de trajetória do 5 a Seco revelam um capricho na produção musical do grupo e uma inserção sólida no cenário artístico (vide o peso do próprio espaço do Auditório do Ibirapuera e dos nomes que participaram do primeiro disco da banda: Lenine, Maria Gadú e Chico César).

Agora, a formação acaba de lançar o terceiro álbum, "Síntese", e se apresenta nesta sexta (18) no Teatro RioMar Fortaleza (Papicu). Na sequência, o grupo faz show no Recife (PE), no sábado (19).

O 5 a Seco reúne os cinco compositores Leo Bianchini, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Tó Brandileone e Vinicius Calderoni. Em entrevista por telefone, Calderoni (também fundador da companhia Empório de Teatro Sortido/SP) explica como será o espetáculo do grupo na capital cearense.

Além das 13 faixas de "Síntese", o show traz "algumas canções revistas nessa formação, como 'Ou não', 'Veio pra ficar', e outras". "A nossa articulação, por mais que a gente faça os arranjos idênticos ao disco, dá um sentido ao show, e a uma dramaturgia que também transcende o 'Síntese'. É um jogo teatral", detalha.

Calderoni adianta que os cinco integrantes do 5 a Seco se revezam entre os instrumentos e a formação no palco é atípica. A bateria, por exemplo, foge do convencional e reúne poucas peças - é composta de um surdo, uma caixa e um disparador de samplers (!).

Entre "Síntese" e "Policromo", o segundo álbum (editado pelo programa Natura Musical), há uma diferença de quatro anos de lançamento. Indagado sobre em que ponto o processo do disco novo se distingue do anterior, Vinicius Calderoni coloca que a principal distinção é que as canções recém-lançadas passaram pelo crivo dos shows ao vivo, antes de ganharem registro em estúdio.

Estrada

Segundo Calderoni, esse processo retomou, em parte, a lógica de concepção do primeiro disco, gravado ao vivo. "O 5 a Seco começou para fazer uma temporada de shows. Não era um conjunto estável, e percebendo que tinha um apelo, gravamos em estúdio. (Para o disco novo) a gente viu que era bom amadurecer os arranjos na estrada", observa.

Ele enfatiza que o laboratório "na estrada" serviu para que o grupo achasse as canções com uma "adesão irrestrita" dos cinco integrantes. Isso facilitou que o grupo ganhasse tempo em estúdio, tendo os arranjos "na mão". "No 'Policromo', a gente passou um tempão elaborando, pra estrada, um disco dispendioso. Agora, tudo foi mais convergente e prazeroso", destaca Vinicius Calderoni.

Plataformas

Outra diferença em relação ao processo do segundo álbum é a presença crescente das plataformas digitais de streaming na atualidade. Questionado se agora as novas canções chegam "mais rápido" ao público da banda, Calderoni observa que a inclusão do repertório nas plataformas dá um certo capricho para o lançamento, mas pondera que a resposta dos fãs do 5 a Seco sempre foi rápida e surpreendente.

"Isso acontece desde o início da banda. No nosso primeiro vídeo lançado no Youtube ("Gargalhadas"), foi impressionante, pra gente, como o público passou a cantar a música nos shows. Antes de lançar um disco, só com esses vídeos pela Internet, um monte de gente cantava as músicas num show no Rio. É louco dizer isso, mas é sempre uma surpresa", relata Vinicius Calderoni.

Ele admite que o lançamento de "Síntese" foi o mais caprichado, dentre os três álbuns, até aqui. "Foi a primeira vez que a gente ficou feliz com o lançamento, com a sensação de ter feito a nossa parte".

Embora o grupo valorize o formato de álbum e a unidade que o suporte traz consigo, Calderoni explica que eles precisaram tomar uma decisão de mercado e disponibilizar as canções para um consumo fragmentado.

Dessa forma, "há vídeos para todas as canções, e isso facilita muito (que o público consuma). Cada música tem uma vida própria. E lançamos com várias teasers, fizemos um cronograma de lançamento com o Youtube", situa.

Também em vídeo, Calderoni adianta que o 5 a Seco ainda deve disponibilizar vídeo-aulas de todas as 13 faixas, além de comentários "faixa a faixa" com os compositores de cada canção e um making of das gravações de "Síntese".

Elo

Em vez de se colocar como uma banda, o 5 a Seco se apresenta como um "coletivo de compositores". A definição do grupo evoca a singularidade de cada um dos autores. N`outra direção, indagado o que haveria de afinidade, a respeito de um "elo" em comum ao cinco integrantes, Vinicius Calderoni responde que o tempo de convivência e estrada, em nove anos, ajuda a consolidar uma ligação sutil entre os músicos.

Calderoni recorda que Pedro Viáfora, por exemplo, tinha apenas 19 anos de idade quando o grupo começou. "Acho que todo mundo ficou adulto, foi se individualizando, dentro desse contexto coletivo. Então, isso é uma coisa bem bonita de pensar: de como a gente se influencia mutuamente", reflete.

Mais informações:

Show do 5 a Seco (SP) nesta sexta (18), às 21h, no Teatro RioMar (Rua Desembargador Lauro Nogueira, 1500 Piso L3, Shopping RioMar Fortaleza, Papicu). Ingressos: R$ 70 (plateia alta), R$ 90 (plateia baixa B) e R$ 100 (plateia baixa A). Contato: teatroriomarfortaleza.com.br

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