LANÇAMENTO

A poesia em jogo

01:12 · 28.05.2009
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Experimento poético de Carlos Augusto Lima, “Manual de acrobacias n. 1”, será lançado hoje, no Restaurante Café Verde Lima

Aparentemente, “Manual de acrobacias n. 1” é um livro. Ao ler o nome do autor – Carlos Augusto Lima – surge a dúvida se ele é mesmo. Poeta. ensaísta, articulista de literatura do Diário do Nordeste, Carlos Augusto é um autor de novos tempos. Escritor prolífico, tem a magra bibliografia de três livros lançados – “Objetos” (2002), “Vinte sete de janeiro” (2008) e, agora, “Manual de acrobacias n. 1”. A maior parte da obra foi lançada por aí, em revistas, sites, jornais, na rua e onde quer que o autor considere possível colocar um poema.

Carlos Augusto é um autor de projetos. Tanto que seus dois primeiros livros são marcados por uma unidade que torna impossível desmembrá-los, sem que, com isto, se corrompa o projeto poético ali executado. Com “Manual de acrobacia n.1”, acontece a mesma coisa e, por isso, não é de todo correto chamá-lo de livro. Melhor seria “livro-poema”.

“Podemos também associá-lo ao livro-objeto, que já foi experimentado por muitos artistas. Começo a pensar no ‘Manual’ como algo que talvez não esteja tão próximo de uma tradição da literatura, mas das artes plásticas”, sugere o poeta. Ele escreve, antes de mostrar seus poemas, como num aviso aos navegantes, que os “os 72 poemas deste manual constituem um experimento que teve como matéria primeira a amizade. Uma experiência do afeto e da linguagem. Cada um dos 72 poemas deste manual foi ofertado e dedicado a um amigo diverso. (...) Todos receberam o mesmo poema, mas nenhum é igual. Esta é uma experiência da surpresa e do imprevisto”.

Mesmo com esta advertência, é possível que o leitor tente percorrer as páginas sem a devida atenção (o leitor que acha que tem, em mãos, um “livro”). Estes vão achar que o impressor cometeu o terrível equívoco de rodar, 72 vezes, o mesmo poema. Mas a poesia hoje exige do leitor atenção e disposição para o jogo. Melhor até usar o plural - “jogos” -, afinal, o primeiro jogo consiste em descobrir quais são as regras do que se vai jogar.

Esconde-esconde

“Essa idéia surgiu num exercício poético de vencer o tédio, um certo marasmo da cidade, a falta de idéias e projetos”, conta Carlos Augusto Lima. “O ‘Manual’ nasceu de um certo enfado do livro de poema. Recebo muitos livros de poemas e fiquei pensando em como o formato não muda. Os formatos não estavam me causando surpresa”, revela.

Daí, foi o poeta quem resolveu surpreender os amigos. O hábito de enviar poemas inéditos para estes leitores privilegiados transfigurou-se em projeto: mandar um mesmo poema, com diferenças mínimas, para dezenas de contatos. “Serve como gesto de generosidade, mas, também, para esticar o poema. Mas outras questões foram surgindo depois”, explica. Questões como a exaustão do poema (“quando estava fazendo a revisão do livro, houve momentos em que eu mesmo não aguentava. O poema encia o saco”) e os limites entre o literário e as demais artes.

Cada questão que desponta deste manual é um jogo - uns para o autor, outros para o leitor. É justamente a repetição, procedimento já usado no trabalho anterior de do poeta, que, paradoxalmente, opera o milagre da multiplicação.

POEMAS

Manual de acrobacias n.1

R$ 10
78 PÁGINAS
2009 EDITORA DA VILA

Carlos Augusto Lima
Lançamento às 19 horas, no Restaurante Café Verde Lima (Rua Joaquim Nabuco, 1283).

DELLANO RIOS
Repórter

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