Ensaio

A multiplicidade temática e estética

00:00 · 04.05.2014

Devido uma infância repleta de vivências significativas do qual o poeta se aproximou da realidade dos negros servidores e escravos do engenho de seu pai, sua poesia, povoada de imagens, folclore e visões humanas, assumiu uma riqueza particularmente regionalista e social. Com todo esse tempero e munido de expressão poética, Jorge de Lima conquistou seu lugar como "príncipe dos poetas alagoanos". Mas foi com sua obra "Negra Fulô" que conquistou o Brasil tornando-se conhecido como poeta.

Vasos comunicantes

Jorge de Lima influenciou Chico Buarque e Edu Lobo na criação em "O Grande Circo Místico" através dos 47 versos publicados em seu livro surrealista "A Túnica Inconsútil". As ideias do poeta chamaram à atenção do escritor Raduan Nassau em seu livro Um copo de cólera devido à semelhança da imagem do copo como um mundo de mergulho ao interior da alma humana. Ge de Lima influenciou obras de escritores importantes e sua temática o levou a ser homenageado em diversos campos da cultura brasileira Jor. Foram homenagens grandiosas como feita pela escola de samba Estação Primeira da Mangueira, em 1975, com um bálsamo de enredo que teve como autores o Herlito Machado Fonseca (tólito), Mozart Santa Rosa (Mozar) e Delson Tosal (Delson) e como intérprete, o intrépido Jamelão. A Escola recebeu o título de vice-campeã com o tema Imagens poéticas de Jorge de Lima. O enredo retrata uma trajetória de vida que se aproximou da temática da obra original de forma simplória e alegre; o seu reconhecimento pelo povo através das obras; a consagração pela epopeia "Invenção de Orfeu" - (Texto IV)

Ao final, a narrativa tece menção às principais obras de Jorge de Lima, destacando-lhe a surpreendente inovação, bem como a sua permanente busca, quase uma obsessão p perfeição do discurso poético: (Texto V) Outra escola Homenageou o Poeta, A Escola de Samba Vila Isabel que demonstrou a popularidade que Jorge de Lima possui diante da cidade do Rio de Janeiro onde morou e fez uma vida não somente na literatura através de sua poesia, mas como médico, político, pintor e toda atribuição refletiva nas atuações de convívio social.

A voz do povo

A escola de samba Vila Isabel, cantou seu samba-enredo com o tema Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, em 1976. O samba-enredo foi composto por Paulo Brasão, tomando o mérito de maior samba da toda história da escola e ressaltando a importância do samba como principal elemento a ser valorizado dentro dos princípios de classificação. A letra representa o autor em seu universo imaginário e poético. O romance, a natureza presente nos sentidos sensoriais e à musicalidade da letra do samba configuram e sintetizam uma grandiosa e difícil obra de Jorge de Lima popularizando o que há de rico em nossa literatura brasileira: (Texto VI)

Considerações finais

Homenagens ao poeta reavivam sua obra e sua memória, eternizando na história da literatura brasileira dentro do gênero modernista. Um memorial materializado na Casa Jorge de Lima, cedida pelo governo alagoano em 2004, foi inaugurado com grande ímpeto dos acadêmicos em 15 de dezembro de 2008 em Alagoas, Maceió. A Academia alagoana de letras teve a iniciativa de conservar a vida e obra do poeta através deste ato significativo para os alagoanos e brasileiros. A temática da inauguração tinha como inspiração seus versos, belamente expressados na poética, sobre o Rio São Francisco.

As pinturas do poeta se espalham pelos pavimentos traduzindo a coloração das principais obras realizadas pelo também artista plástico, Jorge de Lima. Os versos do "O Mundo do Menino Impossível" povoam as escadarias de forma harmoniosa e divertida.

O mundo de Jorge de Lima se encontra preservado num arquivo complexo resguardando o imaginário do povo através da sua criação não apenas pelas cores, mas também pela concretização do movimento de reconhecimento e admiração da população que faz das homenagens uma gota ainda de vida daquele que marcou com grande relevância a literatura brasileira. Um poeta de uma voz singular.

Trechos

TEXTO IV

... Jorge de Lima em Alagoas/ Nasceu/ Ouviu tudo dos antigos/ o que aconteceu/ Com os escravos na senzala/ No Quilombo dos Palmares...". ... Esta é a Negra Fulô/ Uma obra fascinante/ Que o poeta tão brilhante/ O povo admirou.... Na epoeéia triunfal/ Que a literatura conquistou/ Em síntese de um sonho/ O poeta tão risonho/ Assim se consagrou...

TEXTO V

... Foi um sábio que seguiu as tradições/ Com seus versos, poemas e canções/ Boneca de pano e joia rara/ Calabar e o acendedor de lampiões/ Zumbi, Floriano e Padre Cícero/ Lampião e o pampa/ é o amor."

TEXTO VI

Ilhado na imaginação/ Que mar de fantasia/ O poeta vai cantando/ Estórias tão sem Histórias/ De tristeza e alegria/ No seu veleiro sem vela/ Peixe que voa/ Ave que é proa / Tem o barão, triste barão/ Um homem sem reinado/ Tem girassol reluzente/ Tem leão rei coroado / Navegando sem parar/ Dedilhando sua lira/ Fazendo o vento cantar / / Em seus devaneios/ Imagens diferentes/ Cavalo todo de fogo/ Mulheres metade serpente/ Nesta ilha inventada/ Procurando sua amada/ Seu candelabro astro-rei/ E a mulher imaginada/ Desperta então o poeta/ Clamando Orfeu/ Clamando Orfeu / Uma luz nas trevas se acendeu/ Mentira pra quem não crê/ Milagre pra quem sofreu

SAIBA MAIS

DERRIDA, Jacques. A escrita e a diferença. São Paulo: Perspectiva, 1971

ECO, Umberto. Sobre os espelhos e outros ensaios. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989

LIMA, Jorge de. Invenção de Orfeu. São Paulo: Cosacnaif, 2014

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