exposição internacional

A margem e o enigma

"Mind Games", mostra individual do americano Roger Ballen, será aberta no sábado, no Museu da Fotografia

00:00 · 06.09.2018

Radicado na África do Sul, desde os anos 1970, o fotógrafo norte-americano Roger Ballen é reconhecido pela recorrência de alguns elementos em suas fotografias. Predomina o preto e branco (a cor tem sido experimentada mais recentemente) e uma espécie de universo onírico, sombrio e decadente, que choca justamente por não ser encenado. São instantâneos da realidade testemunhada por Ballen.

É esse trabalho, de forte marca autoral e de estilo bem definido, poderá ser visto, a partir de sábado, 8, no Museu da Fotografia Fortaleza (MFF). "Mind Games" é primeira exposição internacional do equipamento cultural inaugurado em 2017. A mostra é inédita. Com curadoria da portuguesa Ângela Berlinde, "Mind Games" reúne obras de diversas fases da carreira de Roger Ballen, que já conta mais de quatro décadas.

Uma boa mostra da estética da arte de Ballen pode ser vista no videoclipe "I fink U freeky" (2012), que o fotógrafo dirigiu para o duo de rap-rave sulafricano Die Antwoord.

O sentido da existência

A curadora selecionou mais de 60 imagens, apresentadas ao público em médio e grande formato. A maioria é no preto e branco que consagrou Ballen, mas "Mind Games" também traz alguns de seus experimentos mais recentes com a imagem em cores.

"Ao longo da sua carreira, somam-se as imagens icônicas que realizou em lugares ruinosos, habitados por pessoas que vivem de forma extrema, à margem da sociedade. O objetivo de Ballen sempre foi o mesmo: questionar o significado e sentido da existência humana", explica a curadora Ângela Berlinde, em texto divulgado pelo MFF.

O próprio Roger Ballen se vale de algumas dessas senhas para ler seu trabalho. "Minhas imagens são metáforas da condição humana, não necessariamente documentos sobre o que está acontecendo na África do Sul, entre populações marginalizadas", explica.

Ele usa o adjetivo "enigmático" para falar de seu processo criativo. "Eu nunca penso na imagem antes de fazê-la e raramente penso nela depois de pronta. As melhores fotos são aquelas que não compreendo. Então, no fim das contas, quando chego em um lugar tento encontrar um ponto de partida - pode ser uma marca na parede, às vezes uma pessoa que entra no recinto, às vezes um desenho que eu ou outra pessoa faz, ou fazemos juntos, e a partir da construímos a foto, revelou, em entrevista ao Diário do Nordeste.

Preto e branco

Ballen diz se orgulhar de ser um "fotógrafo de preto e branco". "Faço parte da última geração de fotógrafos nascidos em um mundo onde a fotografia preto e branco era predominante", explica. E enumera as razões de sua preferência: "primeiro, é muito reduzido, muito puro, algo que se aproxima do meu trabalho como um todo; segundo, é uma mídia abstrata, não necessariamente contempla ou revela o mundo da maneira que é, não diz que o mundo é desse ou daquele jeito, diz 'esse é um mundo especial', e eu gosto dessa ideia, não necessariamente diz ao público que estou mostrando a chamada realidade. Então o trabalho que tenho desenvolvido ao longo dos anos é sinônimo com a mídia preto e branco". O trabalho colorido recente, que poderá ser visto no MFF, é definido por Roger Ballen como "um grande salto no que faço".

Mais informações:

Mostra "Mind Games", de Roger Ballen - No Museu da Fotografia Fortaleza (Rua Frederico Borges, 545 - Varjota). Abertura e palestra, sábado, 8, às 14 horas. Horário da visita mediada: 10h (inscrições em sympla.Com.Br). Censura: 16 anos. Contato: (85) 3017.3661

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