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A herança do realismo soviético

Começa nesta quinta (7), às 14h, no Cineteatro São Luiz, a 4ª mostra Mosfilm de Cinema Soviético e Russo

Filmes da mostra: "O Encouraçado de Potemkin", "Anna Karenina" e "Dersu Uzala"
00:00 · 06.12.2017 por Iracema Sales - Repórter

A exibição do filme "O encouraçado Potemkin", do mestre da montagem Serguei Eisenstein (1898-1948), abre nesta quinta-feira (7), às 14h, a 4ª mostra Mosfilm de Cinema Soviético e Russo, no Cineteatro São Luiz. O objetivo é promover um passeio por diversos períodos e estilos de uma das cinematografias mais significativas do mundo, incluindo no roteiro obras do início do século XX até os dias atuais. Composta por 10 longas-metragens produzidos pelo estúdio Mosfilm, o maior e mais antigo da Europa, a mostra será encerrada no sábado (9), às 18h, com o premiado "Dersu Uzala", do japonês Akira Kurosawa (1910 - 1998).

A produção soviético-nipônica do Mosfilm ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1976. Duarte Dias, curador e programador do cinema do Cineteatro São Luiz informa que o filme foi realizado em momento bastante conturbado na vida do cineasta japonês. "O Mosfilm apoiou Kuroswa, que conseguiu se reerguer para a história do cinema", lembra. Numa demonstração da abrangência da mostra, na sexta (8), às 18h30, será exibido a refilmagem do clássico "Anna Karenina", do diretor Karen Shakhnazarov, lançado em junho deste ano, na Rússia. A obra é uma nova adaptação do romance de Leon Tolstoi (1828-1910).

Duarte Dias destaca a importância da mostra, realizada no Brasil apenas em São Paulo, na Cinemateca Brasileira, e Fortaleza, quando pela segunda vez o São Luiz recebe uma mostra do icônico estúdio. A promoção é da CPC-UMES, distribuidora brasileira responsável pela interlocução do estúdio Mosfilm, que detém acervo de 2,5 mil títulos produzidos nos períodos soviético e pós-soviético.

Gerações

Outra relevância da mostra é proporcionar às novas gerações contato com a cinematografia, que "influenciou e continua influenciando" o cinema feito na contemporaneidade. Eisenstein é referência na arte da montagem, observa Duarte Dias. As performances apresentadas em "O encouraçado Potemkin" foram absorvidas por várias gerações de cineastas. O filme relata o motim de marinheiros na época da Revolução Russa de 1905, durante o império soviético. Considerada como obra-prima de Eisenstein, constitui um dos filmes soviéticos mais conhecidos e influentes no mundo ocidental. O público poderá perceber a evolução da narrativa dos cinemas produzidos nos períodos soviético e russo, admite Duarte Dias. No entanto, reconhece a hegemonia das cinematografias norte-americana e europeia, em especial, a francesa. Um dos méritos da mostra é desvendar um novo olhar sobre o cinema mundial, resgatando a importância dos diretores russos e soviéticos.

Pluralidade

No ano passado, lembra que o Cineteatro São Luiz exibiu filmes produzidos na Bulgária. Nesse aspecto, o equipamento cumpre com o papel de contribuir para a pluralidade do cinema. "O Brasil e a América Latina não têm muito contato com o bloco oriental", constata, reiterando que o cinema russo continua potente.

No Brasil, conta, o Cinema Novo é um reflexo dessa influência, considerando impossível imaginar Glauber Rocha sem levar em consideração as técnicas do realismo soviético, expresso em diversas linguagens artísticas. No cinema, a montagem dialética de Glauber Rocha é um desses traços, aponta o curador do Cineteatro São Luiz, destacando sua incorporação à linguagem cinematográfica. "O convite fica no sentido de a população terá acesso a esses filmes, que passeiam por diferentes períodos", sublinha.

A mostra faz uma retrospectiva dos cinemas soviético e após o desmantelamento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no início dos anos 1990. São filmes simbólicos de diferentes épocas, começando com cinema mudo de Eisenstein, de 1925, passando por produções das décadas de 1940, "A questão russa" (Mikhail Romm); 1950, "O destino de um homem" (Serguey Bondarchuck) até à atualidade.

"Essa é a segunda vez que o Cineteatro São Luiz sedia, com exclusividade na região Nordeste, essa importante mostra de filmes russos e soviéticos", revela Duarte Dias, ressaltando o compartilhamento de saberes e culturas que estão embutidos no evento. "Um dos aspectos da significância dessa parceria é a oportunidade de ofertar ao público cearense uma interlocução direta com uma das mais importantes e instigantes cinematografias do mundo, responsável não só por inúmeros clássicos da sétima arte, mas pela própria estruturação da linguagem cinematográfica", arremata Duarte Dias.

Programação

Quinta (7)

14h - "O encouraçado Potemkin" (1925), de Serguey Eisenstein e Grigori Aleksandrov. 14 anos, 1h15
16h - "A questão russa" (1948), de Mikhail Romm. Livre, 1h31
18h30 - "Amor na URSS" (2013), de Karen Shakhnazarov . 14 anos, 1h29

Sexta (8)

14h - "O destino de um homem" (1959), de Serguey Bondarchuck . 14 anos, 1h43
16h20 - "Um homem do Boulevard des Capucines" (1987), de Alla Surikova. 12 anos, 1h39
18h30 - "Anna Karenina - A história de Vronsky" (2017), de Karen Shakhnazarov.14 anos, 2h05

Sábado (9)

10h - "Estação Bielorússia" (1971), de Andrey Smirnov. Livre, 1h41
14h - "Libertação 1: O arco de fogo" (1969), de Yuri Ozerov. 14 anos, 1h25
16h - "Libertação 2: Ruptura" (1969), de Yuri Ozerov. 14 anos, 1h24.
18h - "Dersu Uzala" (1975), de Akira Kurosawa. Livre, 2h41

Mais informações:

4ª Mostra Mosfilm de Cinema Soviético e Russo, de quinta (7) a sábado (9), no Cineteatro São Luiz (Rua Major Facundo, 500, Centro). Grátis. Contato: (085) 3252.4138

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