FESTIVAL

A cidade sonora

Com instalações já em funcionamento, Rock in Rio 2017 está pronto para receber o público nesta sexta (15)

Lady Gaga e Ivete Sangalo fazem shows no primeiro dia ( Fotos: Manuela Scarpa/Kevin Winter/div )
00:00 · 14.09.2017 por Roberta Pennafort/ Julio Maria - Agência Estado
O grupo Les Tambours de Brazza, com percussionistas da África Central, promete ser destaque na programação da Rock Street

As portas do Rock in Rio vão se abrir ao público às 14 horas desta sexta-feira (15), mas na Cidade do Rock já está tudo pronto para se ouvir a música-tema do festival. A reportagem d'O Estado de S. Paulo participou na tarde desta terça (12), de uma visita às novas instalações - as maiores dos 32 anos do Rock in Rio, com 300 mil metros quadrados, oito palcos e capacidade para 700 mil pessoas em sete dias de shows - e encontrou operários dando apenas toques finais à megaestrutura da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

Brinquedos e serviços de alimentação já estão funcionando, para atender convidados, como patrocinadores e parentes de pessoas da produção.

A abertura dos trabalhos foi feita pelo presidente e vice-presidente do Rock in Rio, Roberto e Roberta Medina. Enquanto o pai, idealizador do festival, falou da importância do evento, simbólica e econômica, para a recuperação da moral da cidade, a filha enumerou as novidades da Cidade do Rock, como o palco para youtubers e as duas áreas de shows intimistas, a Rock street, com temática africana, e o Rock District.

"O que vai marcar essa edição são as novas experiências, que não têm nada a ver com as anteriores. É a maior Cidade do Rock já construída em 32 anos, só a área de público já é maior do que toda a cidade anterior. É uma verdadeira smart city", disse Roberta.

"Quando abrirem as portas da Cidade do Rock, meu maior compromisso será com a cidade do Rio. O Rio pode dar certo. Estamos com uma sensação de vira-lata muito maior", afirmou o pai, que, como o prefeito, Marcelo Crivella (PRB), cuja fala ocorreu em seguida, culpou a imprensa pelo noticiário negativo sobre o Rio.

Espaços

A estrutura inclui ainda uma arena de games com tela de 75 m de comprimento por 20 de altura, anunciada como a maior já montada no mundo. O espaço chamado Digital Stage, por sua vez, deve receber youtubers de sucesso, como Whindersson Nunes e Christian Figueiredo.

"A gente sempre sonhou com um parque temático da música. Quem veio ao Parque Olímpico na Olimpíada vai esquecer o que já viu", disse Roberta, garantindo que será oferecido também mais conforto, com mais banheiros e uma estação de BRT (corredor exclusivo de ônibus) em frente à Cidade do Rock.

Enquanto isso, o Palco Mundo está pronto para ser aberto por Ivete Sangalo. Com 25 m de altura e 86 m de frente, e separado por 8 m do público colado à grade, tem 20 toneladas de equipamentos que projetam o que for tocado por 600 m. Ele receberá 28 apresentações, incluindo artistas pouco vistos pelo público brasileiro, como Lady Gaga (sexta, 15) e Justin Timberlake (domingo, 17), e clássicos do Rock in Rio, como Frejat (domingo, 17), Guns N' Roses (dia 23), Red Hot Chilli Peppers e Capital Inicial (dia 24).

O Rock in Rio orienta o público a baixar o aplicativo oficial para celular (há versão Android e iOS), como maneira de acompanhar informações sobre a programação.

África

Mesmo frente às ofertas dos palcos Mundo e Sunset, e da área de música eletrônica, a Rock Street deste ano tem potencial para não passar despercebida. Roberto Medina, depois de pensar na temática africana, cedeu a curadoria para uma autoridade no assunto do continente, o produtor Toy Lima, com um currículo de Free Jazz, Tim Festival, Heineken Jazz Festival e Buena Vista Social Club. Em 2001, a chamada Tenda Raízes, da edição de retorno do Rock in Rio, depois de dez anos de inatividade, também ficou sob sua responsabilidade.

Toy fez da Rock Street uma espécie de passagem obrigatória a quem desejar saber de onde veio qualquer uma das atrações que vão ocupar os palcos do festival. "Vou trazer shows completos de seis atrações que mostram uma África de sem estereótipos", diz o empresário. "Será um repertório a cada dia, contando uma história diferente".

O Les Tambours de Brazza chega como "a mais espetacular banda de percussionistas da África Central". A cantora Mamadi Keita, do Mali, país que entregou o blues formatado em ritmo e harmonia aos Estados Unidos, tem grande história de superação, além de mostrar um timbre de voz muito particular.

Os primos Alfred & Bernard, de uma grande família de músicos do Burundi, onde nasce o Rio Nilo, vão mostrar a incrível semelhança de seus milenares umurudi com os berimbaus que se conhece no Brasil. Ba Cissoko, um griot (cantador) traz sua tradição mandingue, fazendo um afro beat com cora, guitarra, baixo e o tomani-tambor falante, usado em toda a África do oeste em países como Senegal, Gâmbia e Nigéria.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.