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A arte de reinventar-se a cada movimento

O 9º Festival de Dança do Litoral Oeste começa nesta sexta (21) e prossegue até sábado (22), em Paracuru

Espetáculos selecionados para a 9ª edição do Festival de Dança do Litoral Oeste, em Paracuru
00:00 · 21.04.2017 / atualizado às 13:36

Com o sugestivo tema "Reinventar" começa hoje (21) a 9ª edição do Festival de Dança do Litoral Oeste, que prossegue até domingo (22), tendo como cenário o município de Paracuru. Durante dois dias, coreógrafos, bailarinos e amantes da dança participam de intensa programação - seminário, oficina e apresentações artísticas - incluindo shows musicais e performances dos nove grupos convidados.

"Será também um momento de reflexão e discussão acerca da implementação de políticas públicas voltadas à dança", informa o coreógrafo e curador do festival Alex Santiago, anunciando a abertura da programação artística, logo mais, às 20h30, na Praça de Eventos, no Centro de Paracuru.

Os bailarinos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Mel Oliveira e Sandro Fernandes, interpretarão o "Grand pas de deux do Cisne Negro", terceiro ato do balé "O lago dos cisnes", do compositor russo Tchaikovsky, um dos clássicos da dança erudita mundial. O evento será encerrado com o show "Démodé", da cantora Mel Mattos, domingo (23), a partir das 23h.

A apresentação do casal acontecerá após a homenagem ao bailarino e professor Ernesto Gadelha. O coreógrafo cearense ganha merecido reconhecimento pelo trabalho desenvolvido tanto na formação quanto na implementação de políticas em defesa da democratização do ensino do balé no Ceará.

Programação

No roteiro dos espetáculos da primeira noite, o balé contemporâneo "Myo Clonus", do coreógrafo Alexandre Américo, do Rio Grande do Norte. Os bailarinos Clarissa Costa e John Morais apresentam "Felizes para sempre", e o grupo de dança do Cuca Mondubim finaliza a programação da noite, com o espetáculo "Afro Dizia", levando o ritmo afro-urbano ao palco.

Amanhã (22), a Cia de Dança Ciclos abrirá a programação artística com a encenação de "Desaparecidos", espetáculo que faz alusão ao período da ditadura militar no Brasil, conforme observa Alex Santiago, professor da Escola de Dança de Paracuru.

Há mais de uma década, o espaço atua na divulgação da dança não apenas em Paracuru, berço da iniciativa, mas difundindo essa linguagem artística em vários municípios do litoral Oeste. Atualmente, possui mais 200 alunos. "No início, havia um pouco de preconceito", admite Alex Santiago, afirmando que a dança contribuiu para romper barreiras. Hoje, a escola conta com bailarinos de ambos os sexos.

O festival não tem caráter competitivo, esclarece Alex Santiago, completando que foram enviadas cartas-convites aos grupos, posteriormente submetidos a uma audição pela curadoria.

No fim, foram selecionadas nove companhias, provenientes dos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte; e das cidades de Tabuleiro do Norte e Fortaleza.

A última noite do festival contará com a presença do grupo Tablado, que executará a performance "Primavera flamenca"; enquanto a Paracuru Cia de Dança mostrará "Coração Vagabundo".

Formação

Um dos principais focos do evento é discutir políticas quanto à formação da dança no Ceará, em especial nas cidades do Interior. Alex Santiago defende a reformulação na política de distribuição de recursos públicos, como forma de melhorar o desenvolvimento da dança no Estado.

O curador reclama que a maior fatia desses recursos deveria ser destinada ao Interior, que recebe, assim como Fortaleza, apenas 50% dos repasses. "O Interior concentra o maior número de municípios", justifica.

Conforme Alex Santiago, as apresentações contribuem para a elevação do nível dos alunos. Tanto servem para aprimorar a percepção estética da dança quanto aumentar o repertório, fazendo com que aprendam mais sobre a arte de dançar que, aos poucos, vem sendo democratizada.

"Ver espetáculos de escolas de dança tem uma importância muito significativa para os alunos porque pode-se observar como os bailarinos se comportam e agem. Além da possibilidade de dialogar e trocar experiencias", observa.

"É importante transformar essas ações culturais em investimento para a cidade, refletindo nos aspectos de cultura, dança, música e teatro", completa. Porém, Alex Santiago se ressente também da falta de editais, explicando que, enquanto a edição anterior do evento contou com um edital específico para a seleção das apresentações, "nesta usamos alguns contatos que a gente já tinha e demandas recebidas das companhias. Queríamos fazer mais convites. Até que chegamos a uma boa quantidade para avaliar", argumenta.

Reinventar

A escolha do tema do festival não foi por acaso. Há um apelo político na escolha do nome "Reinventar", daí Alex Santiago chamar a atenção para a oficina, que acontece das 14h às 17h, e o seminário, das 9h às 12h, hoje e amanhã.

Os dois momentos são propícios à reflexão, propõe Alex Santiago, destacando as ações formativas, que acontecerão na sede da Escola de Dança de Paracuru.

Amanhã (22), das 9h às 12h, a discussão vai girar em torno "das políticas públicas de continuidade e gestão nas produções artísticas e eventos no Interior do Estado".

Nos dias 19, 20, 26 e 27 de maio, serão realizados três workshops no município de Trairi, como parte das ações formativas da 9ª edição do Festival de Dança do Litoral Oeste, nos quais serão discutidos temas teóricos e práticos acerca da dança. Alex Santiago comandará as oficinas.

Mais informações:

Abertura do 9° Festival de Dança do Litoral Oeste, em Paracuru. Hoje (21), a partir das 20h30, na Praça de Eventos. Gratuito. Contato (85) 3046.2744

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