MEMÓRIA

30 anos sem Cartola

03:42 · 30.11.2010
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O sambista carioca Angenor de Oliveira se destacou na MPB com o apelido de Cartola e deixou obras como ´As rosas não falam´e ´O mundo é um moinho´

O cantor, compositor e violonista, o sambista Cartola é um dos grandes nomes da música popular brasileira. Nasceu Agenor de Oliveira, na certidão de nascimento ficou como Angenor de Oliveira, no bairro do Catete em 11 de outubro de 1908 no Rio de Janeiro e faleceu também na Cidade Maravilhosa, em 30 de novembro de 1980.

Na infância foi morar no bairro das Laranjeiras e por conta da sua grande família, chefiada por seu pai Sebastião e sua mãe Aída, contar com 8 filhos, sendo Cartola o mais velho, foram para o morro da Mangueira. Lá, ao lado de outros bambas, principalmente com Carlos Cachaça, com quem se iniciou no universo do gênero, fundou o Bloco dos Arengueiros.

A agremiação, em 1928, tornou-se a Estação Primeira de Mangueira, a verde-rosa, cores e nomes sugeridos por Cartola, que também compôs o primeiro enredo, "Chega de demanda". Na época, o autor de "As rosas não falam" também começou a trabalhar na construção civil, onde, por utilizar na cabeça como proteção um chapéu-coco, recebeu o apelido de Cartola, que o imortalizaria na música popular brasileira.

Intérpretes

Já em 19 29, quando despontava outro bamba carioca, Noel Rosa, de quem Cartola foi amigo e parceiro, ele teve seu primeiro samba gravado, "Que infeliz sorte", na voz de Francisco Alves, o qual chegou a comprar algumas de suas composições. Em 1932 foi a vez de "Perdão, meu bem", também por Francisco Alves, em dueto com o cantor Mário Reis.

Francisco Alves gravou também em 1932 o samba "Não faz mal amor", parceria com Noel Rosa, cujo nome de Cartola não apareceu no rótulo do disco. Ainda em 1932, Francisco Alves gravou o samba "Qual foi o mal que eu te fiz", lançado em 1933. A Pequena Notável Carmen Miranda emprestou sua voz para "Tenho um novo amor" e Sílvio Caldas interpretou "Na parceria dele com Cartola.

O primeiro grande êxito da verve criativa com letra e música de Cartola foi o samba "Divina dama", gravado por Francisco Alves, um ídolo de sua época, do porte de um Roberto Carlos. O registro projetou, definitivamente, o nome do sambista carioca no cenário da MPB.

No começo da década de 40 Cartola se afastou um pouco da seara artística por conta de conflitos com parceiros da Mangueira e da morte de sua primeira esposa, Deolinda.

Em 1956, quando trabalhava lavando carros, Cartola foi encontrado por pelo jornalista Sérgio Porto que o encaminhou outra vez para a carreira musical na Rádio Mayrink Veiga. Em 1964, o sambista montou com sua segunda mulher, Dona Zica, o famoso Zicartola, no qual aconteciam apresentações de sambistas e também primava por uma boa comida.

Cartola só gravou seu primeiro disco em 1974 no qual já incluiu pérolas do quilate de "As rosas não falam", "Alegria", "O mundo é um moinho", "Acontece", "O sol nascerá", em parceria como Élton Medeiros e "Quem me vê sorrindo", ao lado de Carlos Cachaça. Depois, gravou ainda mais três álbuns individuais.

Homenagem

Cartola é o homenageado de hoje do projeto Tarcísio Sardinha Convida, no Bar do Papai. O violonista recebe o cantor Humberto Pinho, que interpretará canções do sambista. O CD mais recente de Pinho é o tributo "Samba, Pinho e Cartola".

MAIS INFORMAÇÕES

Tarcísio Sardinha Convida Humberto Pinho em "Samba, Pinho e Cartola". Às 21 horas, no Bar do Papai (Rua Monsenhor Bruno, 1386). Couvert: R$ 4. Contato: (85) 3264.3495

NELSON AUGUSTO
REPÓRTER

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