música

25 anos de estrada

O Trio Isaac, Taylor e Zac Hanson, que estourou com a grudenta "Mmmbob", na década de 90, volta aos palcos

Os irmãos Hanson, hoje com na faixa dos 30 anos, estrearam quando ainda eram adolescentes
00:00 · 17.07.2017 por Bernardo Araujo - Agência O Globo

Todo mundo: "Mmmbob/ Ba duba dop/ Ba du bop, ba duba dop...". O refrão-onomatopeia de "Mmmbop" era uma espécie de "Despacito" em 1997: três meninos lourinhos tocando seus instrumentos (bem direitinho, aliás) e o planeta cantando junto.

Isaac, Taylor e Zac Hanson (pela ordem de idade) eram uma daquelas famílias Von Trapp que a América profunda costuma produzir: orgulhosos filhos de Tulsa, Oklahoma, começaram a tocar e compor profissionalmente ainda na infância, estouraram com aquela pérola pop, seguraram a onda quando as vacas emagreceram e... No dia 24 de agosto voltam ao Km de Vantagens Hall, onde estiveram pela primeira vez em 2000.

"Aquela foi nossa primeira turnê de verdade", lembra Taylor Hanson, o rosto mais conhecido dos três e voz principal na maioria das músicas. "Éramos muito jovens, não é? Hoje em dia, ainda me assusto quando penso em quanto tempo temos de carreira".

De fato, dá para assustar: o Hanson vem ao Brasil com a turnê "Middle of everywhere" (uma brincadeira com "Middle of nowhere", nome do disco de 1997, que por sua vez era uma ironia com o fato de eles virem de Oklahoma), que comemora os 25 anos de carreira do trio. Nada mais normal do que uma turnê pegando carona numa efeméride, só que Isaac, Taylor e Zac têm, respectivamente, apenas 36, 34 e 31 anos.

Vício

Parta Taylor, "qualquer pessoa que faz o que gosta por tanto tempo tem que comemorar", diz ele. "Mas conosco é realmente especial, né? Eu tinha nove anos quando começamos, e 14 quando o disco saiu. Meu filho mais velho, Jordan, tem 14 anos hoje, e eu vejo como é ter essa idade. Parece um pouco demais, passar uma parte tão grande da vida dedicado a uma atividade. Mas é como nós dizemos na música 'I was born': nós nascemos para fazer uma coisa específica, mesmo que não mude o mundo, estamos aí por uma razão", acredita.

Ele é o primeiro a admitir que o sucesso do fim dos anos 1990 nunca voltou, e que cabe ao grupo administrar sua carreira, independente desde 2001. Dois anos depois, os irmãos começaram a lançar discos por seu próprio selo, o 3CG Records.

Não que o Hanson lance novos trabalhos com grande frequência: o último disco dos rapazes, "Anthem", foi lançado em 2013. "Acho que o intervalo atual já é o nosso maior entre dois discos", diz Taylor.

"Não fazemos questão de lançar novos trabalhos com tanta frequência, hoje, que administramos a nossa carreira. Estamos sempre em contato com os fãs, temos uma comunidade on-line enorme de milhares de pessoas. E temos um compromisso com ela: todo ano gravamos cinco músicas novas, que são distribuídas para os nossos fãs.

A turnê atual é mais um movimento dessa carreira administrada pelos músicos. "Além do tempo que damos a nós mesmos para compor e pensar no conceito de um próximo disco, quando vimos que chegaria o aniversário de 25 anos do início da nossa carreira profissional, além dos 20 de 'Middle of nowhere', achamos que isso precisava ser comemorado", conta ele.

"Nossa ideia era começar em junho e fazer uns 25 shows até o fim do verão. Mas a resposta foi muito boa, e agora já temos mais de 60 datas marcadas. Acabamos de voltar da Austrália e Nova Zelândia, agora temos um tempo para ficar em casa e em agosto partimos para a América Latina".

Canções

No palco, os três irmãos ganham o reforço de outros dois músicos. "Temos essa formação com cinco pessoas há muitos anos", esclarece Taylor, que canta e toca guitarra e teclados, assim como Isaac, enquanto Zac se concentra na bateria. "Um baixista e um outro músico, que se reveza entre a guitarra e os teclados, tocam conosco".

Ele diz que o repertório é variável, e nem "Mmmbop" está garantida. No dia 29 de junho, em Milwakee, por exemplo, o trio tocou 21 canções, com direito ao clássico "Johnny B. Goode", de Chuck Berry, e nada do velho hit.

"Tocamos 'Mmmbop' na maioria dos shows", esclarece Taylor. "Temos muito orgulho dos nossos sucessos, jamais renegaríamos uma música como essa, que nos levou tão longe. Mas fazemos questão de mudar o repertório de um show para o outro, até porque temos fãs que viajam para nos ver, e vão a mais de uma apresentação. O show não pode ficar engessado. Quando começamos a turnê, temos pelo menos umas 60 músicas ensaiadas".

Segundo ele, a arte da composição é levada a sério pelos irmãos Hanson. "Você nunca para de compor, né?", diz. "É mais ou menos como aceitar que você tem um vício, não tem como viver sem. Quando eu tinha sete anos, já ouvia uma canção e tentava entender a harmonia. Fazer música é como respirar".

Se a banda Hanson tem três irmãos, a descendência deles seria suficiente para formar quatro trios: aos cinco filhos de Taylor, somam-se quatro de Zac e três de Isaac. Será que vem aí uma nova geração de músicos na família? "Meus filhos são muito musicais, mas não sabemos ainda se eles vão seguir esse caminho. "Vamos deixar que eles escolham".

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