Devoção e turismo em Quixadá

Tur
Sobre uma esplanada no meio do Vale Monumental, em Quixadá, no Sertão Central do Ceará, encontra-se o Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, um lugar sagrado que emana paz e atrai devotos de todos os lugares do País, consolidando-se no roteiro turístico-religioso cearense

Fernando Brito
Especial para  Turismo

Sertão quer dizer região agreste, distante das povoações ou de terras cultivadas e onde o sol é inclemente. A bem da verdade, o Sertão Central cearense convive com esse quadro, mas a luz que brilha mais forte é a da fé, atraindo peregrinos de todos os cantos. A idéia de dom Adélio Tomasin, bispo da Diocese de Quixadá, virou realidade.

No ponto mais alto da Serra do Urucum, entre monólitos que se destacam na paisagem quixadaense, destaca-se imponente o Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão. Gente de todas as idades descobre ali o caminho da conversão que leva a Deus e transforma suas vidas.

Para alcançar o santuário na Serra do Urucum, a cerca de 12 quilômetros do centro de Quixadá, o visitante percorre estreita e sinuosa estrada de pedra. A vista durante a subida é uma das mais belas que se pode apreciar no Ceará e reúne imponentes monólitos, lagos, lagoas, parte do açude do Cedro e a cidade de Quixadá.

No caminho, imagens em tamanho natural representam as 14 estações da Via-Sacra, mostrando a trajetória de Jesus desde a sua condenação, crucificação até o sepultamento e a ascensão aos céus. As imagens foram confeccionadas pelo artista plástico e escultor tauaense Adalécio Feitosa Mariz. A Cruz Azul também fica no caminho e ganha a atenção de peregrinos e turistas. À noite, brilha no alto da serra.

Na chegada ao santuário, a sensação é única. No lugar sagrado, certamente se está mais perto de Deus, sob as bênçãos de Nossa Senhora Imaculada. Uma brisa sopra suave, tornando ainda mais agradável a presença no complexo turístico-religioso, obra impulsionada pela obstinação de dom Adélio Tomasin. Basta o silêncio para se harmonizar com tudo e todos ao seu redor.

A visão do entorno fascina. O verde domina a paisagem e desmente a carência de chuvas na região. Monólitos seculares se destacam no cenário, em especial a Pedra da Galinha Choca, cartão-postal de Quixadá. No fim da tarde, o pôr-do-sol visto a partir do santuário é um espetáculo imperdível.

A visita ao santuário - cuidado por 13 irmãos e irmãs da Comunidade Mariana Oásis da Paz - começa pela capela, com capacidade para 800 pessoas sentadas. Junto à porta, uma torre piramidal simboliza o manto da Virgem Maria. Painéis externos representam o mistério da salvação: criação, pecado, encarnação e morte redentora de Jesus.

Erguida com tijolos, pedras, cerâmica e estrutura metálica, a capela abriga imagens em tamanho natural de Jesus crucificado e da sagrada família. Painéis e imagens mostram a Virgem Maria com o nome e o título como é venerada em cada país da América Latina. O objetivo é fazer com que cada peregrino se sinta em comunhão com os irmãos latinos.

Uma imagem em tamanho natural de Nossa Senhora Imaculada Mãe de Deus abençoa todo o templo, que tem vitrô fumê e azul, altar em forma de sarcófago, sacrário, torre batismal e duas amplas bacias onde os visitantes depositam pedidos e agradecimentos à Mãe Rainha. As missas são celebradas às 17 horas, de segunda a sexta; e às 11 e 17 horas aos sábados e domingos.

O espaço destinado à oração ao ar livre é a Gruta da Rainha. Uma estrutura em forma de altar junto a uma das maiores pedras da Serra do Urucum, com uma imagem de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão. O espaço é acessível por ampla passarela. Ali, o visitante reza tranqüilo, tendo apenas a natureza como testemunha. Nas orações, muitos agradecimentos e pedidos de amparo, proteção e graças a Deus por meio da Mãe Rainha.