Poemas de Dimas Macedo

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Lábios

Conchas de tua boca,

fios de tua língua,

lâminas de tua pele,

letras e salinas

dos nossos antepastos:

quero-te os seios

rodilhados de flores;

quero-te o ventre

pontilhado de lírios.

E os círios acesos

de teus lábios.

E o azul frutado

de teus dedos.

E o aroma de vinho

de teus braços.

Viagem

Veros, verdadeiros e vorazes,

assim na vida os vinhos do rochedo,

que nascem sobre a noite serenados,

como se fosse as vozes do sossego,

que se embalam nas redes do teu corpo,

quase suspensos com hálito do teu beijo.

Natal

Os Sinos de Natal

são cristalinos

testemunhos de Deus

e fazem bem.

Os Sinos de Natal

nas Torres de Belém

tocam matinas de luz

para um menino.

Nos Sinos de Natal

bronzes divinos se fundem

e fazem hinos de amor

ao Santo Graal.

Nos Sinos de Natal

a minha infância adolesce

e em seus badalos de ouro

eu ponho a minha prece.

Ouço Jesus falando

em suas partituras.

Teço escrituras de luz

às notas musicais

dos Sinos de Belém.

Uivo

Assim como a neblina

que pousa nos teus olhos,

a liberdade do corpo me alucina,

e me fascina o mel da tua boca,

onde o silêncio se põe

e o uivo do teu corpo

me deixa quase louco

e liberto para sempre.

Rimas

Assim se põe o sol

nas águas do açude

onde a saúde da terra

aflora vespertina

medra uma nuvem de chuva

talvez um pouco ausente

e a semente do sonho

germina no horizonte.