Voluntárias do bem

Eva
NO NATAL, A TROCA DE PRESENTES JÁ É TRADIÇÃO, MAS HÁ VALORES HUMANOS QUE PARECEM ESTAR ESQUECIDOS. POR ISSO, O EVA APRESENTA QUATRO MULHERES SOCIALMENTE ENGAJADAS QUE FAZEM A DIFERENÇA SE DEDICANDO AO PRÓXIMO

As festividades de final de ano despertam o carinho com o próximo, mas há pessoas que tem a solidariedade como lema o ano inteiro. Fadas madrinhas circulam todos os dias entre nós. O Eva identificou quatro delas em Fortaleza.

Alice Domenich faz o bem por meio das letras, Camila Garcia atua em comunidade, Cláudia Bezerra dedica-se à natureza, e Cristiane Faustino luta por causas feministas. Elas cumprem uma missão exemplar, trazendo alegria e esperança para adultos e crianças.

Solidariedade

As boas ações são fonte de vitalidade para Alice Domenich, 74 anos. Ela é a prova de que, além de dom, o trabalho voluntário só ganha destaque se for feito com paixão. Natural do Rio de Janeiro, a professora aposentada passou a vida junto a crianças e adolescentes. Viúva, conheceu Fortaleza pela primeira vez ao acompanhar o marido, que, em 1986, veio trabalhar como desenhista. Contudo, jamais esqueceu sua missão: incentivar a leitura. De voz suave e meiguice encantadora, Alice conduz, facilmente, os pequenos ao fantástico mundo das letras. E claro que sua experiência como mãe de sete filhos só contribui.

"O público infanto-juvenil é o grande responsável pela minha vitalidade. Com eles, sinto que o mundo pode ser mágico", declara. E para levar essa magia adiante, Alice, com a ajuda da amiga Lúcia Martins, fundou, em 1995, na capital cearense, a Associação de Resgate dos Valores da Arte (Revart).

Dentre as inúmeras atividades, como aulas de música e até judô, a Associação é conhecida pelo espaço destinado aos livros, com a biblioteca Monteiro Lobato.

Cada corredor da Revart foi meticulosamente pensado por dona Alice, chamada de "tia" por todos. Primeiro, as revistas de entretenimento e os paradidáticos mais fáceis de ler. Depois, livros escolares, acadêmicos até chegar à sala dos autores renomados, nacionais e estrangeiros. "Aos poucos, vamos despertando o interesse pela leitura. O hábito começa quando se lê o que gosta".

Consciente de que, em geral, o povo brasileiro é carente de leitura, a voluntária não economizou esforços para fazer o sonho virar realidade. São mais de nove mil obras cadastradas, que vão desde as divertidas histórias em quadrinhos aos instigantes romances de José de Alencar.

A faixa etária dos visitantes é variada: "Aqui, frequentam pessoas de dois a 84 anos. Os pequenos gostam mesmo é da Mônica. Já os maiores, de Machado de Assis, Jorge Amado e dos livros mais filosóficos, por incrível que pareça".

Motivação

O público infanto-juvenil é o grande responsável pela minha vitalidade. Com eles, sinto que o mundo pode ser mágico"
Alice Domenich
professora

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Maioria feminina em trabalhos sociais

as mulheres são maioria absoluta no voluntariado do Brasil, segundo pesquisa do Riovoluntário. O sexo feminino representa mais da metade das pessoas que desejam fazer trabalhos em prol de alguma causa, grupo ou comunidade. Em geral, elas têm idade entre 25 e 45 anos e curso superior. 31% delas estão na faixa etária entre 24 e 39 anos, 44% entre 40 e 52 anos e 25%, acima dos 58 anos. Contudo, percebe-se uma variação das atividades a depender da faixa etária. Mulheres mais maduras preferem atividades administrativas, enquanto as mais jovens costumam se dedicar a atividades ligadas a crianças e idosos.