Harmonia do visual

Eva

APESAR DE NÃO EXISTIR UM PADRÃO DE BELEZA A SER SEGUIDO, O VISAGISTA PHILIP HALLAWELL ALERTA SER POSSÍVEL ALIAR A ESTÉTICA AOS OBJETIVOS DE CADA PESSOA.

Ao pensarmos em mudar o visual, logo imaginamos a cor dos cabelos daquela atriz da novela ou o corte de uma cantora que está estampada na capa da revista de celebridades. Porém, nem tudo pode ser aplicado em qualquer pessoa. Para isto, o melhor é procurar a ajuda de um profissional especializado na área.

“É aí que entra o Visagismo, a arte de criar estilo personalizado, que define uma identidade”, resume o especialista Philip Hallawell, autor do livro “Visagismo: Harmonia e Estética”, da Senac São Paulo Editora. Em Fortaleza, a convite do Senac-CE, ele irá ministrará, no próximo domingo, a palestra “Visagismo: criatividade na construção da imagem pessoal”, durante a Cosmética Nordeste 2007.

Dentro deste conceito, cada passo para alcançar o visual desejado é estudado, desde o corte do cabelo à imagem pessoal como um todo, de acordo com os princípios de harmonia e estética. Explicando melhor, as características físicas de determinada pessoa devem ser aliadas à sua personalidade.

Desta forma, o profissional poderá utilizar, com consciência, maquiagem, corte, coloração e penteado do cabelo, entre outros recursos estéticos. Contudo, o Visagismo requer conhecimento profundo da linguagem visual, exigindo análise tanto das características físicas (formas de rostos, tons de peles e feições), quanto da personalidade do cliente.

Assim, é possível criar uma imagem pessoal que revele as qualidades interiores, antes escondidas. Entendeu por que pode não dar certo fazer o mesmo corte daquela celebridade?! Pois é, nem tudo que é “moda” se encaixa perfeitamente ao estilo de cada um.

Processo

Segundo a visagista Nely Mendes, capacitadora do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-CE), a vantagem em aplicar estes conceitos faz com que o cabeleireiro não imponha apenas seu gosto. Ao mesmo tempo, evita que o cliente seja vítima do modismo. “O objetivo é valorizar características próprias do indivíduo, desde físicas até profissionais”, diz Nely.

Além disto, o Visagismo permite encontrar possíveis temperamentos, definidos por “Beleza sangüínea”, caracterizada pela extroversão e a energia; “Beleza colérica”, encontrada em pessoas fortes e decididas; “Beleza melancólica”, marcante em indivíduos sensíveis, quietos e introvertidos; e por fim, “Beleza fleumática”, encontrada em seres meigos, acolhedores e abnegados.

Nely também aponta ser possível reconhecer estes conceitos por meio de características físicas. A testa, por exemplo, está relacionada ao intelecto, e o queixo revela intuição. Tudo isto, segundo a especialista, deve ser observado desde o momento inicial, quando a pessoa entra no salão de beleza.

“Uma das coisas que faço, e acho muito prático, é pedir para a cliente pentear o cabelo na minha frente. A partir daí, você pode dizer se ele ou ela vai ou não usar determinado estilo”, revela. Reforçando a idéia, Philip Hallawell alerta: “Por essência, o Visagismo é um processo despadronizado, portanto não se trabalha com regras”.

Aliado poderoso

Porém, a aplicação destas técnicas ajudou tanto o trabalho dos profissionais, que a maquiadora e cabeleireira Fátima Carvalho, também do Senac, já considera o processo uma tendência. “Antes era geometria facial, estilos de rostos, de cabelos. Depois, elementos da forma. A diferença é que com o Visagismo é possível estudar o estilo como um todo”, considera. Ela ainda define o conceito em questão como arma poderosa para avaliar o cliente. “Nós viramos escultores de estilo, respeitando o biótipo de cada um. Hoje, é possível compor um look mais a cara do cliente”.

Mas, quais os elementos indispensáveis para que uma pessoa possa ser considerada bela? Para Philip Hallawell, é preciso expressar qualidades autênticas como força, delicadeza, criatividade, bondade ou sensualidade. “Sentimos a beleza quando a imagem é agradável visualmente e expressa algo admirável”, revela.

Não existe padrão a ser seguido, pois cada pessoa é um conjunto único de qualidades (e fraquezas). Porém, é impossível ignorar os princípios de estética ( não são regras), baseados em pesquisas científicas ao longo dos séculos.

TRANSFORMAÇÃO

Para qualquer mudança no visual, é necessário analisar o formato do rosto, elemento mais significativo, porém, não necessariamente definitivo. É só partir da pergunta: ´O que você deseja expressar por meio de sua imagem?´. Esta reflexão é estimulada com observações do rosto, que revelam a personalidade e o que a imagem atual está expressando. Em todas etapas, o profissional exerce a criatividade e sensibilidade. As únicas regras são: não existe certo ou errado, é preciso respeitar as preferências do cliente. Confira o ´antes´ e o ´depois´ da técnica aplicada por Philip Hallawell.

Conceito e história do Visagismo

Derivado da palavra “visage”, que, em francês, significa “rosto”, o Visagismo foi criado por Fernand Aubry, em 1937. No entanto, faltavam informações essenciais, principalmente sobre a linguagem visual. Com este conhecimento, o profissional possui liberdade para criar, pois não depende unicamente de sua intuição e inteligência estética.

O conceito do Visagismo foi difundido nos últimos anos por Claude Juillard, co-autor do livro “Formes et Couleurs” (Solar, Paris, 1999), com Brigitte Gautier. Aqui no Brasil, o especialista Philip Hallawell foi responsável por sua propagação.

Porém, a arte de ler a personalidade ou temperamento de uma pessoa pela análise de seu rosto é milenar. Denominada Fisiognomonia, os princípios datam cerca de 5000 anos, quando os chineses escolhiam seus imperadores pelas características físicas de suas faces.